Falece Benedito Ruy Barbosa, ícone da teledramaturgia brasileira

Benedito Ruy Barbosa, um dos mais renomados autores da teledramaturgia nacional, faleceu aos 95 anos na terça-feira, dia 07, em São Paulo (SP). A confirmação da morte foi realizada pelo Hospital do Coração, onde o dramaturgo estava internado em decorrência de complicações de uma insuficiência renal crônica que o acompanhava há três anos.

A trajetória de Benedito é marcada por obras que se tornaram CLÁSSICOS da televisão, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde escreveu a primeira versão da novela ‘Pantanal’. Esta produção, que levou as belezas da maior planície alagável do mundo para todo o Brasil, foi exibida pela extinta TV Manchete em 1990. O sucesso de 'Pantanal' levou o autor a retornar à Rede Globo, onde em 1993 lançou a novela ‘Renascer’. Ambas as obras ganharam novas adaptações escritas por Bruno Luperi, neto de Benedito, sendo que a regravação de 'Pantanal' estreou em 2022, enquanto a nova versão de 'Renascer' foi exibida em 2024.

Entre os personagens icônicos criados por Benedito, destaca-se 'Juma Marruá', que se tornou um símbolo da novela 'Pantanal'. Além dessa obra, o autor também é responsável por outros sucessos, como 'O Rei do Gado' (1996), 'Terra Nostra' (1999), 'Velho Chico' (2016) e 'Sinhá Moça' (1986/2004). Suas histórias frequentemente retratam temas como imigração, relações familiares e amores intensos, ambientados em cenários rurais, sempre dando destaque a protagonistas de caráter forte.

Nascido em Gália (SP), Benedito teve sua infância marcada pela presença de imigrantes japoneses e italianos na região de Vera Cruz. Iniciou sua carreira profissional precocemente, após a morte de seu pai. Antes de se estabelecer como um nome de peso na televisão, trabalhou como jornalista e redator publicitário. Sua primeira obra nas artes foi o romance 'Fogo Frio', publicado em 1959, que se tornou uma peça de teatro premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Benedito começou sua trajetória na televisão escrevendo novelas como ‘Meu Pedacinho de Chão’ (1971), ‘Feijão e o Sonho’ (1976), ‘À Sombra dos Laranjais’ (1977), ‘Cabocla’ (1979), e ‘Paraíso’ (1982). Ele também teve destaque com 'Voltei pra Você' (1983) e 'De Quina pra Lua' (1985). Seu legado ainda inclui a reformulação de episódios do 'Sítio do Picapau Amarelo', uma famosa obra da literatura infantil brasileira criada por Monteiro Lobato, que cativou gerações com sua fantasia e encanto.

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