Ações da Polícia Civil resultam em prisões por feminicídio e abuso sexual em Campo Grande

A Polícia Civil executou, na manhã desta quarta-feira (15), dois mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão, em ações vinculadas à Operação Mulher Segura. Essa mobilização nacional é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e, em Campo Grande, foi realizada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e pelo Setor de Investigação de Crimes Sexuais e Feminicídio (SEFEM).

Um dos detidos é investigado pela tentativa de homicídio e feminicídio, ocorrida em 30 de março deste ano. Duas irmãs foram atropeladas por um veículo que fugiu sem prestar socorro. A investigação revelou que o motorista desligou os faróis do carro e acelerou em direção às vítimas, conforme registrado por câmeras de segurança. Fragmentos recolhidos no local foram identificados como pertencentes a um Toyota Corolla registrado em nome do suspeito, que afirmou ter vendido o veículo, mas não apresentou documentos que comprovassem a transação.

As investigações indicaram que o carro permaneceu em Campo Grande após o atropelamento, contradizendo a versão do motorista. A dinâmica do incidente, o histórico de relacionamento conturbado entre o suspeito e uma das vítimas, assim como as inconsistências em seu depoimento, fortaleceram os indícios de sua autoria. A Justiça determinou a prisão preventiva do homem, além da busca e apreensão do veículo e de celulares para perícia.

O segundo mandado de prisão foi cumprido contra um homem acusado de estupro de vulnerável, com agravante por ser irmão da vítima. As investigações foram iniciadas após uma jovem de 18 anos, grávida, ser internada em uma unidade hospitalar com dores abdominais e crises convulsivas. Durante o atendimento, ela revelou que sofria abusos sexuais de seu irmão desde os 15 anos e acredita que a gravidez seja resultado de um desses abusos, ocorridos em novembro de 2025.

A jovem relatou que o irmão a ameaçava para que mantivesse relações sexuais e que o avô estava ciente dos abusos, sendo conivente com a situação. Em um episódio no hospital, o avô tentou se aproximar da vítima, o que foi considerado uma atitude intimidatória, agravando seu estado emocional e contribuindo para novas crises convulsivas. A equipe médica acionou a Polícia Militar, que deu continuidade ao caso.

Com as evidências reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva do acusado, que foi efetivada por equipes da DEAM. A jovem permanece internada, sedada e sob cuidados intensivos, enquanto a Polícia Civil prossegue com as investigações para esclarecer a extensão dos abusos e a possível participação de outras pessoas no caso.

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