Investigação revela que morte de Fabíola Marcott foi feminicídio, e cardiologista é indiciado

A Polícia Civil de Campo Grande finalizou a investigação sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcott, de 51 anos, concluindo que se tratou de um feminicídio, e não de um suicídio, como havia sido inicialmente registrado. O marido da vítima, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso preventivamente na sexta-feira (14) pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.

A decisão da polícia foi fundamentada em perícias técnicas que forneceram evidências suficientes para caracterizar Fabíola como vítima de violência doméstica e familiar. A mulher foi encontrada sem vida na residência do casal, localizada no bairro Chácara dos Poderes. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, com relatos de que Fabíola havia seguido sua rotina normalmente até a manhã do ocorrido.

De acordo com o relato, o marido notou a demora da esposa e foi até o quarto, onde encontrou a porta trancada. Após retornar ao andar inferior, ouviu um disparo e, ao voltar ao quarto, encontrou Fabíola ferida. Apesar dos esforços da equipe do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, a mulher não sobreviveu.

Com o avanço das investigações, novas informações foram analisadas. Laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal refutaram a hipótese de suicídio e corroboraram a teoria do feminicídio. Além dessas perícias, a polícia ouviu testemunhas e examinou dados de celulares que foram apreendidos durante a apuração do caso.

A Polícia Civil informou que todas as diligências necessárias foram finalizadas e que o inquérito será enviado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para apreciação e possível apresentação de denúncia. João Jazbik Neto já havia sido detido anteriormente por porte ilegal de arma de fogo, com diversas armas sendo apreendidas em sua residência após a morte de Fabíola.

Após essa primeira prisão, ele foi liberado com medidas cautelares, como a utilização de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com testemunhas. O advogado José Belga Trad, que defende o cardiologista, classificou a prisão preventiva como “descabida” e afirmou que pretende recorrer da decisão, alegando que o inquérito ainda não estava concluído no momento da prisão e que não havia denúncia formal contra seu cliente.

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