O agronegócio de Mato Grosso do Sul, motor das exportações estaduais, mira o mercado asiático como estratégia para minimizar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, e até mesmo ultrapassar os americanos em produtos como soja e carne bovina.
A possibilidade de a China aumentar a compra de soja dos EUA, em meio a negociações bilaterais, pode impactar o Brasil. Donald Trump expressou otimismo quanto a um aumento significativo nas compras chinesas de soja americana, mencionando a preocupação da China com a escassez do produto.
O Brasil é o principal fornecedor de soja para a China, seguido pelos Estados Unidos. Analistas acreditam que um eventual aumento nas compras chinesas de soja dos EUA não deve afetar o mercado brasileiro.
Em relação à carne bovina, terceiro item da pauta de exportações de Mato Grosso do Sul, a estratégia é buscar novos mercados na Ásia. O Japão, conhecido por seus altos padrões sanitários e rigor nas negociações, ainda não importa carne bovina brasileira, mas essa situação pode mudar.
O governador Eduardo Riedel, em viagem ao Japão, busca essa abertura. “Exportamos US$ 120 milhões para o Japão no ano passado, com destaque para a avicultura, e temos avançado na suinocultura. Agora, discutimos a abertura do mercado para a nossa pecuária de corte”, declarou Riedel.
Atualmente, o Japão negocia a abertura do mercado para a carne brasileira, mas restrita aos estados do Sul do país, reconhecidos como áreas livres de febre aftosa sem vacinação há mais tempo.
Antes das tarifas de Trump, Brasil e Estados Unidos eram grandes parceiros comerciais no setor de carne bovina. Atualmente, as vendas de carne brasileira aos EUA são taxadas em 50%.
Michel Constantino, doutor em Economia, avalia que a menção de Trump sobre “quadruplicar” as vendas de soja é mais uma estratégia retórica. “Para quadruplicar as vendas, a China teria de comprar toda a soja que os Estados Unidos produzem”, explicou. Ele ressalta que a produtividade brasileira é superior à americana, o que posiciona bem o Brasil nesse cenário.
O crescimento da demanda chinesa, que aumenta cerca de 5% ao ano, impulsiona a procura por soja, abrindo oportunidades para Brasil e Estados Unidos.
Este ano, a China ainda não comprou soja americana para o quarto trimestre, gerando preocupações no setor dos EUA, que busca compradores alternativos. A China importou 22,13 milhões de toneladas de soja dos EUA e 74,65 milhões de toneladas do Brasil no ano passado.
Sobre a carne bovina, Constantino destaca a importância de Mato Grosso do Sul buscar alternativas. “A carne exportada a partir de Campo Grande, por exemplo, é de alta qualidade. Precisamos encontrar países que paguem mais caro pelo produto”, afirmou. Ele considera a iniciativa do governador Riedel positiva, por buscar diversificar os mercados e reduzir a dependência da China e dos Estados Unidos.





