O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS) decidiu manter a prisão do gerente de uma clínica em Glória de Dourados, que se encontra detido há uma semana. Ele é suspeito de envolvimento em crimes como tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado. A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PC/MS), que investiga irregularidades em clínicas que acolhem dependentes químicos.
A prisão preventiva do gerente foi decretada após uma audiência de custódia na Vara de Garantias de Dourados. A defesa do acusado protocolou um pedido de habeas corpus, argumentando que as acusações contra ele são genéricas, que não tinha poder de decisão na clínica e que é pai de duas crianças menores de 12 anos. Assim, a defesa solicitou sua libertação ou a aplicação de medidas cautelares em seu lugar.
O habeas corpus foi analisado pelo desembargador José Ale Ahmad Netto, que integra a 2ª Câmara Criminal do TJ/MS. Em sua decisão, o magistrado destacou que não havia fundamentos suficientes para a soltura do gerente e requisitou mais informações tanto da Polícia Civil quanto do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MP/MS). Ele ressaltou que o indeferimento da liminar não representa uma conclusão sobre o mérito do pedido, e que as questões levantadas pela defesa poderão ser reavaliadas futuramente, com base em novos elementos que possam surgir no processo.
A liminar ainda precisa ser confirmada pelos outros membros da 2ª Câmara Criminal do TJ/MS. Essa decisão ocorre no contexto da Operação Cura Terapêutica, que teve início em 18 de agosto de 2026, e visa combater fraudes em serviços de internação para dependentes químicos que são custeados pelo Poder Público no estado.
Durante a operação, uma pessoa foi encontrada em situação de cárcere privado. A PC/MS executou 14 mandados de busca e apreensão e bloqueou um patrimônio que ultrapassa R$ 1 milhão. As investigações estão concentradas em clínicas situadas nas cidades de Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã.
Os estabelecimentos investigados são acusados de oferecer serviços de internação sem atender aos requisitos técnicos necessários para serem considerados clínicas especializadas. Durante as inspeções realizadas, foram identificadas diversas irregularidades, como a falta de alvarás sanitários e a ausência de uma equipe técnica mínima, além de instalações precárias. Até o momento, cerca de 13 pessoas físicas e jurídicas estão sendo investigadas por crimes relacionados à administração pública, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.





