O Senado Federal aprovou, em 3 de setembro de 2026, o Acordo Internacional do Café de 2022 (AIC 2022), que substitui o tratado vigente desde 2007. No entanto, essa aprovação não finaliza as discussões sobre o futuro da Organização Internacional do Café (OIC). O Conselho Nacional do Café (CNC) expressou sua avaliação de que várias questões ainda precisam ser debatidas e construídas politicamente dentro da OIC.
Entre os principais pontos de preocupação levantados pelo CNC está a abertura da OIC para a participação de entidades privadas e da sociedade civil como membros afiliados. Embora o conselho reconheça a importância de aproximar a OIC da cadeia cafeeira, alerta que é necessário estabelecer critérios claros para que essa inclusão não comprometa a identidade e a capacidade da organização de defender os interesses da cafeicultura mundial.
O CNC não contesta a relevância do diálogo com o Setor Privado, mas enfatiza que a ausência de critérios definidos pode resultar em uma representação desproporcional de grupos que não estão diretamente ligados à produção de café. A organização ressalta que os espaços de discussão da OIC não devem ser dominados por interesses externos que desviem o foco das questões centrais da cafeicultura.
Outro aspecto destacado pelo CNC refere-se à estruturação da Junta Consultiva do Setor Privado e do Grupo de Trabalho Público-Privado do Café. Para o conselho, as discussões sobre condições de trabalho e desenvolvimento sustentável devem ser realizadas com a participação ativa dos produtores, que são os mais afetados pelas decisões da OIC.
O CNC afirma que não é contrário à modernização da OIC, considerando que a instituição precisa acompanhar as transformações da cafeicultura global. No entanto, a modernização não deve implicar na perda da identidade ou dos objetivos da organização, nem na desconsideração dos interesses diversos do setor.
Nesse contexto, o CNC espera que a regulamentação e a implementação do AIC 2022 ocorram durante a plenária de 2026, na Suíça. Antes que os novos mecanismos sejam definitivamente consolidados, o conselho enfatiza a importância de estabelecer critérios claros para a participação de entidades privadas e da sociedade civil, a fim de preservar o equilíbrio e a finalidade da OIC. O CNC reafirma seu compromisso em monitorar e participar ativamente das discussões sobre a implementação do novo Acordo Internacional do Café.





