Irregularidades em contrato de digitalização na Santa Casa geram investigações e prisões

A Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços, foi alvo de investigações devido a irregularidades em um contrato de digitalização de prontuários na Santa Casa. Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, a empresa digitalizou apenas 3.818.695 páginas, representando 9% do total previsto de 42 milhões. Apesar da baixa produção, a Redvalue recebeu R$ 2,1 milhões, valor que contrasta com os R$ 190.934,75 que deveria ter sido pago considerando a efetiva entrega dos serviços.

O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) destacou que, até 18 de fevereiro de 2026, o pagamento integral à empresa foi realizado sem a devida execução dos serviços. A justificativa para os pagamentos mensais de R$ 150.000,00 baseava-se na capacidade estimada de digitalização de 3 milhões de páginas por mês, o que não se concretizou. A situação evidencia um significativo desvio de recursos públicos em um contrato que estava sob a supervisão da Diretoria da Santa Casa.

A presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, que assumiu o cargo em fevereiro de 2023, foi citada nas investigações por ter mantido o contrato da Redvalue mesmo após recomendações do Conselho Fiscal para a suspensão do trabalho. O Gecoc revelou que Alir não acatou as orientações, e ao ser convocada pela 32ª Promotoria de Saúde, tentou justificar a contratação mencionando erroneamente a entrega de outros sistemas pela empresa.

As investigações apontam que a justificativa apresentada pela presidente tinha como objetivo conferir uma aparência de complexidade e vantagem econômica a um contrato que, na realidade, carecia de fundamentos sólidos. A juíza do Núcleo de Garantias, ao autorizar as prisões e a busca e apreensão, ressaltou que as empresas listadas para simular uma pesquisa de mercado tinham vínculos com MAURÍCIO APARECIDO BENITES.

A decisão também resultou na prisão de outros envolvidos, como RINALDO Hakme ROMANO, ALESSANDRO Dias JUNQUEIRA, Paulo Guilherme Gutierres Mariosa, Monique Gregório de Oliveira e MAURÍCIO APARECIDO BENITES. Além disso, Paulo da Cruz Duarte e Beatriz Lemes da Silva foram afastados de suas funções na Santa Casa e na operadora do hospital, com restrições de aproximação ao local.

A situação levanta questionamentos sobre a gestão de contratos e a aplicação de recursos públicos, evidenciando a necessidade de maior fiscalização e transparência em processos administrativos na saúde pública.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest