Investigação revela movimentações suspeitas de servidores municipais em Campo Grande

A Operação Antidotum investiga dois servidores públicos municipais de Campo Grande, cujas movimentações financeiras totalizam R$ 973.988. Embora não estejam entre os detidos na operação, os indivíduos foram citados pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) durante a apuração do fluxo de dinheiro relacionado a empresas vinculadas ao empresário Maurício Aparecido Benites.

Maurício é considerado pelos investigadores como o responsável pelo núcleo empresarial associado à Redvalue, que foi contratada pela Santa Casa para a digitalização de documentos. De acordo com informações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as empresas Redvalue, EX, BE e Infortech operavam de maneira integrada, envolvendo a circulação de recursos entre elas e a posterior retirada de valores por pessoas físicas. É nesse contexto que aparecem os dois servidores municipais.

Um dos servidores atua na agência municipal responsável pelo meio ambiente e planejamento urbano. O relatório de investigação revela que ela realizou dois saques e recebeu transferências via Pix nos meses de abril e maio de 2025, totalizando R$ 211.989. As operações envolveram valores de R$ 60 mil, R$ 52 mil, R$ 49.990 e R$ 49.999, todos provenientes de contas associadas à Redvalue.

O outro servidor está lotado na secretaria municipal de administração e inovação. Ele é mencionado na investigação por ter realizado 17 saques em espécie entre outubro de 2024 e março de 2025, somando R$ 761.999. Os recursos foram retirados de contas da Redvalue, da EX BE e, em uma transação, diretamente de Maurício Benites. Os investigadores afirmam que essas movimentações financeiras não apresentavam explicações comerciais claras até aquele momento.

O relatório também destaca que não foram encontrados contratos, notas fiscais ou qualquer outro tipo de documentação que justificasse a retirada ou recebimento de valores tão elevados por servidores públicos e outras pessoas físicas. A tese do Gecoc sugere que esses indivíduos podem ter sido utilizados para retirar e dispersar os recursos que circulavam pelas empresas envolvidas, dificultando o rastreamento dos destinatários finais.

A Redvalue, que está no centro da Operação Antidotum, foi contratada pela Santa Casa para digitalizar o acervo da instituição. Contudo, o MPMS aponta que os pagamentos realizados não correspondem ao volume de serviços efetivamente prestados. Maurício, que se encontra preso preventivamente, é identificado como o controlador do núcleo empresarial relacionado a essa contratação e participante das negociações sobre pagamentos.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest