A Santa Casa Saúde realizou pagamentos que totalizam R$ 5,57 milhões a uma empresa associada ao advogado Paulo da Cruz Duarte, que está vinculado à ex-presidente da instituição, Alir Terra Lima. Esses valores foram destinados à implantação de uma filial em Dourados, mas o Ministério Público de Mato Grosso do Sul identificou que o contrato que justificaria esses repasses não foi apresentado ao Conselho Fiscal da organização.
Os pagamentos foram feitos em dez parcelas mensais de R$ 557 mil entre março e dezembro de 2025. Nos documentos contábeis, os valores aparecem sob a descrição de “execução técnica para abertura da filial da Santa Casa Saúde em Dourados”. No entanto, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) chamou a atenção para a falta de estudos de viabilidade, propostas comerciais, cronogramas e outros documentos que comprovassem a prestação dos serviços.
Os investigadores também apontaram a ausência de informações sobre os profissionais que deveriam estar envolvidos no projeto, bem como a falta de relatórios mensais e comprovantes de resultados. A descrição contábil utilizada não esclarece quais produtos ou serviços justificariam a remuneração mensal de R$ 557 mil, levantando suspeitas sobre a real natureza dos pagamentos.
Outro aspecto relevante é que os pagamentos tiveram início antes da formalização da filial, que ocorreu apenas no final de 2025. O Ministério Público argumenta que a falta de documentação impede a identificação clara das atividades executadas e dos custos relacionados à empresa contratada. A contratação, segundo o MP, serviu para retirar R$ 5.570.000,00 do caixa da operadora sem comprovação da execução dos serviços ou apresentação do contrato.
As investigações levaram à emissão de seis mandados de prisão preventiva e revelaram que os prejuízos relacionados a essa operação podem alcançar R$ 1,4 milhão. Além disso, o Ministério Público também está investigando contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde com outras empresas do mesmo grupo econômico, que, segundo as apurações, têm relação com diretores da Santa Casa e estão registradas em um endereço que estaria desocupado.
Aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos a essas empresas em 2025, conforme a investigação, e o MPMS estima que esses contratos tenham causado um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões. Com isso, os casos identificados até agora somam mais de R$ 4,9 milhões em perdas para a Santa Casa, e o valor total pode aumentar, já que as investigações estão em andamento. O MPMS enfatiza que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.




