Mato Grosso do Sul enfrenta um grande obstáculo ao seu desenvolvimento econômico: a persistente carência de mão de obra qualificada. No ano passado, o estado contabilizou 24.280 vagas de emprego que não foram preenchidas, segundo dados da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab). Especialistas apontam a falta de qualificação e o desinteresse dos trabalhadores como principais causas desse cenário.
O investimento em programas sociais no estado, que totalizou R$ 451.186.425,57 em 2024, também é um ponto de discussão.
A escassez de profissionais qualificados afeta diversos setores, do florestal, impulsionado pela indústria de celulose, aos frigoríficos, usinas de etanol, produção de grãos, construção civil, varejo, serviços, logística e transporte.
Embora os dados de 2024 ainda não estejam disponíveis, a tendência é que a situação se agrave, acompanhando o crescimento econômico do estado. Um estudo de 2024 da FGV Ibre sugere que o aumento nos benefícios do Bolsa Família pode estar contribuindo para a redução da busca por emprego entre grupos vulneráveis.
A indústria é o setor mais impactado, com um deficit de 5.858 postos de trabalho. O Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado (Sinduscon-MS) tem criado programas de qualificação, como o “Construindo Talentos” e o “Elas Constroem”, para preparar novos profissionais para o mercado, inclusive qualificando gratuitamente.
No agronegócio, a demanda se concentra em atividades operacionais, como operação de máquinas agrícolas, aplicação de defensivos, inseminação artificial e manejo de gado, além de competências em agricultura de precisão e tecnologias embarcadas. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MS) oferece cursos técnicos alinhados às necessidades produtivas de cada região. Em 2024, 80% dos 1.248 alunos dos cursos técnicos do Senar-MS já estavam empregados após a conclusão dos estudos.
Mato Grosso do Sul projeta um crescimento econômico de 5,3% neste ano, o terceiro maior do Brasil, de acordo com o Banco do Brasil. No entanto, a falta de profissionais qualificados representa um desafio para sustentar esse crescimento. Um dos maiores desafios é formar e reter profissionais com competências técnicas para plantas industriais complexas, além de atrair lideranças qualificadas para localidades mais remotas do estado.
No ano passado, o saldo de empregos formais no estado foi de 12.341 vagas, com 412.538 admissões e 400.197 demissões, segundo o Ministério do Trabalho. A taxa de desocupação no primeiro trimestre deste ano foi de 4,0%, a quarta menor entre os estados, indicando uma situação de pleno emprego.





