A compactação do solo pode comprometer a lavoura e, em determinadas condições, provocar perdas de até 60% na produtividade. O problema também reduz a infiltração de água e limita o crescimento das raízes. No campo, porém, nem toda compactação pede o mesmo tipo de intervenção. A profundidade da camada afetada é o que indica se a melhor alternativa é um escarificador ou um descompactador.
O escarificador atua entre 15 e 30 centímetros, enquanto o descompactador alcança camadas de 30 a 55 centímetros. A diferença é importante porque trabalhar além da profundidade necessária significa menor rendimento operacional e maior demanda de potência, afirma Diogo Antônio Salvador, agrônomo e especialista em produtos da São José.
Quando a compactação está concentrada nas camadas mais superficiais, o escarificador reúne corte da palhada, escarificação e nivelamento em uma única operação, melhorando as condições físicas do solo e mantendo parte da cobertura vegetal na superfície. Já em situações de compactação mais profunda, o descompactador auxilia no rompimento dessas barreiras, favorecendo o aprofundamento das raízes e ampliando o acesso à água e aos nutrientes, especialmente em períodos prolongados de déficit hídrico.
A compactação costuma estar relacionada ao tráfego de máquinas, principalmente quando as operações são feitas com o solo muito úmido, e também ao pisoteio de animais. O resultado é um solo com maior resistência, menor quantidade de poros e dificuldade para a água avançar no perfil, além de raízes com mais dificuldade para crescer em profundidade. Segundo Diogo Antônio Salvador, é comum o produtor perceber que a lavoura não responde como deveria e pensar logo no descompactador, mas é preciso olhar a profundidade do problema. Se a camada compactada está entre 15 e 30 centímetros, o escarificador pode ser suficiente. Quando a restrição está entre 30 e 55 centímetros, o descompactador passa a ser a alternativa adequada.
Além de romper a camada compactada, os equipamentos favorecem a infiltração e a retenção de água, melhoram a aeração no solo e contribuem para a manutenção da palhada na superfície. O trabalho com menor revolvimento também está alinhado ao manejo conservacionista. Para o produtor, a questão não é escolher a máquina que trabalha mais fundo, mas a que atua na profundidade em que está o problema.






