A Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul (Feserp-MS) busca negociar com o Governo do Estado uma alternativa para o pagamento das dívidas de servidores públicos com o Banco Master. A entidade propõe parcelamentos com prazo definido para quitação e cobrança preferencialmente fora da folha salarial, além da criação de um balcão de negociação com acompanhamento jurídico individualizado dos contratos.
A proposta ocorre após a suspensão dos descontos do Credcesta nos contracheques dos servidores estaduais. A federação já enviou um novo ofício ao Governo solicitando reunião com a Secretaria de Estado de Administração (SAD) para discutir a renegociação. Segundo a presidente Lilian Fernandes, a principal preocupação é com a modalidade de cobrança adotada nos contratos de cartão consignado. Conforme Lilian, muitos servidores recebiam um valor em dinheiro e passavam a sofrer descontos mensais correspondentes ao pagamento mínimo do cartão, mantendo a dívida ativa por tempo indeterminado, acrescida de juros.
"Do jeito que estava, era uma dívida eterna, além dos juros abusivos", afirmou a presidente. A federação defende que os pagamentos sejam feitos por boleto bancário ou outro mecanismo sem descontos automáticos, o que permitiria maior controle dos valores pagos. "E de preferência, que seja em boleto, que seja fora da folha, porque a folha faz com que eles sejam reféns", declarou. A entidade também pretende disponibilizar sua estrutura física e jurídica para analisar cada contrato individualmente, identificando saldo devedor, taxas cobradas e possibilidades de parcelamento.
A medida busca enfrentar a falta de canais de atendimento para os servidores obterem informações sobre os contratos. "Na verdade, eles não têm telefone mais para ligar. O servidor não tem nem para quem ligar para dizer: 'Olha, eu quero parcelar minha dívida'", relatou Lilian. Ainda não há definição sobre quem ficará responsável pelas negociações dos créditos vinculados ao Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025. A proposta depende de entendimento com os responsáveis pelos contratos, já que o Governo do Estado atua na administração dos descontos em folha, mas não é o credor das operações.
Os descontos do Credcesta deixaram de aparecer na folha dos servidores estaduais referente a agosto. Na ocasião, a SAD informou que a interrupção ocorreu porque a PKL One Participações, responsável pelo registro das consignações vinculadas ao Banco Master, deixou de manter contrato com a empresa terceirizada que opera o sistema estadual de consignados. A suspensão não significou o cancelamento dos débitos. Conforme Lilian, o Governo sinalizou que as cobranças não serão retomadas antes de uma reunião com a federação. "A gente tem essa garantia do governo que esse desconto não retornará até essa reunião com a SAD que a gente pediu, com o secretário de Administração, para que a gente defina uma forma de parcelamento", afirmou.






