Mato Grosso do Sul deve enfrentar chuvas acima da média histórica e temperaturas elevadas no trimestre entre novembro e janeiro, segundo Dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). O fenômeno El Niño, que deve atingir a categoria muito forte, tende a provocar ondas de calor e alterar os padrões de precipitação no Estado. O período também registra forte aquecimento diurno, o que gera instabilidade e favorece tempestades severas de curta duração, com chuvas intensas, vendavais, raios e queda de granizo.
A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explica que a tendência de chuvas acima da média não deve ocorrer de forma homogênea em todo o território. “Mato Grosso do Sul está inserido em uma zona de transição climática, apresentando elevada variabilidade espacial e temporal das condições atmosféricas, principalmente de precipitação. O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”, afirma. Ela destaca que o cenário atual difere de 2023 e 2024, quando, sob El Niño forte, houve intenso aquecimento acompanhado de expressivo déficit pluviométrico, criando ambiente propício à propagação de grandes queimadas.
Na área da saúde, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) capacitou 675 profissionais para atuar diante dos impactos do El Niño e incluiu o município de Porto Murtinho no plano para eventos climáticos extremos. Os treinamentos ocorrem desde agosto, abrangem as nove regiões de saúde e incluem guia clínico, protocolos de emergência e avaliação da estrutura dos municípios. A programação chegou a Porto Murtinho nos dias 20 e 21 de outubro, com mais de 25 profissionais treinados, considerando a relevância do município no contexto da Rota Bioceânica.
As capacitações contemplaram as nove regiões de saúde, além da Capital, Porto Murtinho e profissionais da saúde indígena. Em 31 de agosto, 51 integrantes do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) participaram de atividade voltada à preparação para atender populações vulneráveis. Entre os polos regionais, Bonito registrou 101 profissionais capacitados, seguido de Coxim com 77 e Campo Grande com 76. A capacitação também passou por Dourados, Corumbá, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Ponta Porã e Três Lagoas.
O coordenador do Ciatox (Coordenação do Centro de Informação e Assistência Toxicológica) da SES, Karyston Adriel da Costa, ressaltou a importância da preparação. “Em situações de eventos climáticos extremos, a identificação precoce dos riscos e o atendimento adequado fazem diferença na prevenção de complicações. Por isso, é importante que os profissionais estejam preparados para reconhecer os agravos relacionados a esses eventos e adotar as condutas necessárias em cada situação”, destacou.






