A árvore que os tupis chamavam de ibirapitanga, a madeira vermelha, era abundante no litoral entre o Rio de Janeiro e Sergipe por volta de 1500. Os franceses a chamavam de brésil, cor de brasa, e dela se extraía tintura vermelha. Mesmo com qualidade inferior à do Oriente, o pau-brasil rendia seis vezes o custo da extração e operação. Dom Manoel, rei português, terceirizou a exploração a um grupo de mercadores que enviou quatro navios pelo litoral nordestino, retornando carregados das árvores. Os indígenas cortavam as toras em pedaços de 1,5 metro, cada qual pesando 30 quilos.
As derrubadas cresceram rapidamente. Em poucos anos, era necessário se afastar 20 quilômetros do litoral para encontrar árvores que justificassem o corte. A história do Brasil está ligada ao desmatamento, e esse processo se repetiu em diferentes regiões: a partir de um rio ou do mar, a ocupação avançava sobre a terra derrubando a vegetação. A coivara, técnica agrícola tradicional de corte e queima usada por povos indígenas de todo o país, consistia em derrubar as árvores, separar a madeira útil e amontoar o restante. Após a secagem, o material era queimado e as cinzas forneciam fósforo, potássio e magnésio ao solo para o plantio. O valor das árvores era apenas de subsistência.
No atual Mato Grosso do Sul, a primeira mata derrubada por um branco ocorreu com a abertura de caminhos e o desbravamento da região. Cabeza de Vaca, o primeiro branco a pisar no território, derrubou matas, especialmente as ciliares próximas ao Rio Paraguai. O espanhol comandou uma grande expedição que subiu o rio em direção ao norte, abrindo caminho com o corte de vegetações de áreas de transição para estabelecer acampamentos e pontos de apoio. A tropa entrou longe do rio, nas terras alagadas do Pantanal. Eram aproximadamente 400 espanhóis, 800 índios e 26 cavalos. Sem alternativas para procurar riquezas, derrubaram muitas árvores: a opção era cortar ou voltar derrotado.






