O Ibovespa opera nesta terça-feira (27) ainda sob o impacto da forte reprecificação dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na véspera, o índice encerrou com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, o menor patamar desde agosto, em sessão marcada pelo acionamento do circuit breaker e pela disparada do dólar. O mercado deve continuar ajustando expectativas para a política fiscal e monetária a partir de 2027.
Com o aumento dos prêmios de risco, investidores aguardam sinais sobre a composição da equipe econômica, uma eventual revisão do arcabouço fiscal e medidas de controle das despesas. Essas indicações podem influenciar o dólar e os juros futuros, com reflexos nas ações de empresas mais dependentes do crédito e do consumo doméstico. "Com a definição eleitoral, houve um reposicionamento dos investidores e realização de parte dos ganhos acumulados ao longo do mês, aumentando a pressão vendedora sobre a bolsa", afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank. "Esse movimento pode continuar no curto prazo, embora com menor intensidade, à medida que o mercado assimila o novo cenário e aguarda novas sinalizações políticas e macroeconômicas. A tendência é de uma acomodação gradual dos ativos, ainda com maior cautela", completa.
A atenção também se volta para a atuação do Banco Central. Pela manhã, Gabriel Galípolo participa de uma coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), documento que avalia os riscos e a solidez do sistema financeiro brasileiro. Embora o encontro não seja dedicado à política monetária, eventuais comentários sobre a volatilidade recente, as condições de liquidez e os riscos financeiros podem ganhar relevância após a forte oscilação dos ativos na sessão anterior. Na agenda doméstica, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga, às 8h (de Brasília), o Índice Nacional de Custo da Construção, Mercado (INCC-M) de outubro, que havia avançado 0,25% em setembro.
No exterior, os investidores acompanham, às 9h, as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos, com expectativa de alta de 2% em setembro, após estabilidade em agosto. Às 11h, o Departamento do Comércio divulga as vendas de moradias novas de setembro, com projeção de queda de 4,5%, após avanço de 6,4% em agosto. No mesmo horário, o Conference Board apresenta o índice de confiança do consumidor de outubro, cuja expectativa é de recuo de 81,9 para 80,9 pontos. Os resultados podem oferecer sinais sobre a resistência da demanda americana aos juros elevados e influenciar os rendimentos dos Treasuries, o dólar e o desempenho das bolsas internacionais.
Na sessão anterior, a reação à reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos, provocou uma onda de vendas que levou a B3 a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. Após a retomada das negociações, o índice chegou a recuar 16,8%, aos 170,4 mil pontos, antes de recuperar parte das perdas. No mercado de câmbio, o dólar à vista disparou 8,21% frente ao real, encerrando o pregão a R$ 5,40, na maior oscilação diária desde janeiro de 1999. Entre as ações da B3, as maiores perdas ficaram concentradas em empresas mais sensíveis ao ciclo econômico e às condições de financiamento, com destaque para as ações do Magazine Luiza (MGLU3), que despencaram 58,23%. Em Nova York, os índices encerraram no positivo: Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 avançaram 0,29%, 0,82% e 0,7%, respectivamente.






