Livro de 400 receitas revela hábitos alimentares de quem vivia no Império Romano

Um livro com 400 receitas, intitulado "Derreco Cuinaria", que significa "Arte Culinária", é a maior fonte sobre a alimentação de quem vivia no Império Romano. A obra foi escrita por Marcus Gavius, um rico comerciante e gourmet que viajava obsessivamente em busca de novas experiências gastronômicas. Apesar da fortuna que acumulou, Gavius morreu na miséria após gastar tudo em banquetes monumentais.

Na época, o pão era central na alimentação e muito parecido com os bons pães atuais. O trigo era moído em grandes mós de pedra e misturado com água e sal, usando um fermento natural feito de farinha com mosto de uva azedado. Os pães eram assados em fornos de lenha nas esquinas das ruas, e só nas ruínas de Pompéia foram encontrados 35 fornos de rua. Havia até máquinas com cilindros giratórios para amassar a massa, evitando que as pessoas colocassem a mão nela. O costume era servir o pão com mel por cima ou ensopá-lo em sopas, molhos e até vinho.

Além do pão, um molho de peixe chamado "garum" disputava a preferência. Feito de vísceras de peixes fermentadas ao sol, era usado como o sal hoje. A localidade sob domínio de Roma que mais produzia garum era a atual Ceuta. Em terceiro lugar no gosto popular estavam as almôndegas, bolinhos de carne picada com pinhões, pimenta e vinho, que podiam levar fruta no interior. A receita começava misturando a carne com o miolo do pão e, no final, o bolinho era envolvido em uma película de gordura animal para dar forma.

A carne predileta de muita gente não era a de boi, mas a de pavão, ave comum em todo o Império. Também comiam faisão, coelhos, galinhas e leitões, sendo o leitão a carne que concorria com o pavão e a principal fonte de energia nas rações dos soldados. Carne de vaca era raríssima, pois os bois eram criados para leite e usados no trabalho agrícola.

A manteiga, por sua vez, não era alimento, mas medicamento usado contra tosse e para aliviar dores musculares. Quem a consumia como alimento eram os povos bárbaros, e só após a queda do Império ela passou a ser comida, sendo logo depois proibida pela Igreja Católica durante os jejuns. O açúcar também não existia na época: os alimentos doces eram adoçados com mel, e o açúcar só apareceria 500 anos mais tarde no Oriente.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest