Fórum lança cartilha para orientar empresas sobre respeito ao nome social de profissionais trans

O Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ publicou nesta semana a cartilha 'Respeito ao nome social de profissionais trans nas empresas', com orientações para que o acolhimento à identidade de gênero se torne diretriz corporativa, e não ação isolada de gestores. O material foi elaborado a partir de demandas sobre procedimentos internos, experiências e boas práticas identificadas entre organizações que integram o Fórum.

Segundo Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, muitas companhias estão recebendo pessoas trans pela primeira vez. Ele explica que nem todos os profissionais já inseriram o nome social na carteira de identidade ou no CPF, mas querem ser chamados pelo nome que adotaram no crachá e no contato com colegas, clientes, consumidores, fornecedores e a comunidade.

A cartilha orienta o RH e o Jurídico sobre cadastros, folha de pagamento, eSocial, crachás e e-mails corporativos, além de alertar para prevenção de riscos e proteção de dados. O documento recomenda evitar a exposição indevida de informações pessoais e situações de discriminação, e reforça que a inclusão deve ir além da contratação, com políticas internas que garantam o respeito à identidade de gênero independentemente da decisão individual de cada gestor. Um dos pontos destacados por Bulgarelli é que não se deve exigir que a pessoa registre o nome em cartório para só então ter o nome social respeitado.

Dados da TransEmpregos mostram que 304 pessoas trans foram contratadas por meio da organização em 2025, uma redução de 71% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o número de vagas divulgadas caiu 39% e o de empresas parceiras recuou 8%.

De acordo com Bulgarelli, a experiência mostra que o respeito ao nome social é mais simples do que se imagina e que a barreira é mais atitudinal do que de sistemas ou de falta de regulamentação. Ele afirma que as empresas já lidam com mudanças de nome por diferentes motivos e que, quando alegam que o sistema não permite, muitas vezes há dúvida sobre quem são as pessoas trans e por que é importante respeitar o nome social. O secretário executivo diz ainda que a cartilha estimula as organizações a enxergar as demandas específicas desse segmento como oportunidade para melhorar a gestão.

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