Defesa de delegado investigado pelo Gaeco aponta falha de comunicação em operação

A defesa do delegado Guilherme Scucuglia Cezar declarou, em coletiva de imprensa, que não existem provas que o liguem a desvios de conduta apurados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O servidor foi alvo de busca e apreensão na 2ª fase da Operação Infiltrados, que investiga o extravio de drogas de delegacias.

De acordo com o advogado José Roberto da Rosa, a menção ao nome do delegado resultou de uma leitura equivocada de diálogos entre terceiros e de um desencontro de informações entre as instituições. "O delegado Guilherme foi encaminhado para Dourados na época para investigar supostos desvios de conduta. Ele foi encaminhado para lá através da cúpula para que pudesse trazer informações sobre o que lá ocorria", afirmou o defensor. Segundo ele, a citação restringiu-se a uma conversa entre suspeitos que falavam de um "delegado cabeludinho" dentro da delegacia. "Esse desencontro entre as instituições, entre essa coisa de não se trocar informações, acabou fazendo com que um delegado correto, de comportamento idôneo, fosse colocado nessa linha de investigação", disse Rosa.

O Poder Judiciário indeferiu o pedido de prisão preventiva e autorizou apenas os mandados de busca e apreensão, cumpridos na residência e nos locais de trabalho do servidor. "Nenhum evento foi arrecadado, nada de interesse para a investigação. Então, em relação ao doutor Guilherme, me parece que as coisas estão alinhadas e não há qualquer traço de malfeito praticado por ele", ressaltou o advogado, acrescentando que "não há mais nenhuma prova, não tem movimento bancário, nenhuma ligação dele, nenhum despacho dado por ele, nada". A defesa espera que o procedimento seja arquivado em relação ao policial.

Após atuar na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), Guilherme permaneceu à disposição da Diretoria de Polícia do Interior, em Campo Grande, e atualmente está lotado na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf).

A segunda fase da Operação Infiltrados foi deflagrada na quinta-feira (5) e cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). O Gaeco aponta que policiais desviavam drogas durante apreensões, retiravam cargas do depósito da delegacia ou subtraíam parte do material destinado à incineração. Em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser destruídos teriam retornado ao tráfico. Os fatos investigados ocorreram entre junho de 2025 e maio de 2026. Nove policiais civis lotados na Defron no período são alvos de medidas judiciais, e o Ministério Público não detalhou a participação individual de cada um. Além de Guilherme, foram alvos os investigadores Rodrigo Carpes da Silva, Anderson Mirandola, Cassiano Rodrigues Teixeira, Eumer Cordeiro Barbosa, Rogério da Rocha Ferreira e Oseias Medeiros da Silva, e os escrivães Gustavo dos Santos Sayão e João Marcos Garcia. A operação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Gaeco do Paraná.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest