O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá e Ribas do Rio Pardo decidiu, nesta sexta-feira (6), procurar fornecedores de carvão vegetal para tentar evitar o fechamento da unidade da Vetorial Siderurgia em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande. A medida busca preservar 220 empregos diretos, ameaçados pelo anúncio da empresa de encerrar a produção em 11 de dezembro.
Segundo o presidente do sindicato, Johans Rogério de Pinho Loureiro, a prioridade é esgotar as alternativas de abastecimento antes de iniciar negociações sobre possíveis demissões. "Estamos tentando ver se conseguimos arrumar carvão em algum lugar, para não haver essa demissão", afirmou. A entidade pretende buscar fornecedores inclusive em outras localidades. Loureiro informou que a siderúrgica tem 220 trabalhadores diretos, número que não inclui terceirizados em serviços como alimentação e limpeza. O sindicato ainda não contabilizou os empregos indiretos que podem ser afetados.
Caso encontre carvão a preços mais elevados, o presidente disse que pretende discutir alternativas de redução de custos para manter a unidade funcionando, sem detalhar quais medidas seriam adotadas. Por enquanto, não há reunião marcada com a Vetorial para tratar dos desligamentos. A negociação sobre as condições das demissões só ocorrerá após esgotadas as tentativas de evitar o fechamento, com possível participação de órgãos competentes para acompanhar as negociações trabalhistas.
Loureiro responsabiliza o Governo do Estado pela situação. Na avaliação dele, a expansão das indústrias de celulose e etanol de milho aumentou a concorrência pela madeira de eucalipto usada na produção de carvão vegetal, sem considerar as necessidades das siderúrgicas já instaladas em Mato Grosso do Sul. "O culpado disso tudo é esse Governo do Estado", declarou, ao criticar a falta de planejamento para atender às indústrias que dependem da matéria-prima. O sindicalista também demonstrou preocupação com a recolocação dos trabalhadores, já que a Vetorial emprega moradores da região e parte das vagas nas novas indústrias exige qualificação específica.
Em comunicado de 4 de novembro, recebido pelo sindicato na quinta-feira (5), a Vetorial informou que encerrará a produção principalmente devido às dificuldades de abastecimento de carvão vegetal. A empresa afirma que a concorrência pela madeira de eucalipto com os setores de celulose e etanol de milho comprometeu o fornecimento há cerca de um ano. A siderúrgica avaliou alternativas, incluindo importação de insumos, mas não encontrou condições economicamente viáveis. Custos operacionais e logísticos, dificuldades de competitividade e retração em segmentos da cadeia siderúrgica e mineral também foram citados. A Vetorial admite a possibilidade de aproveitar parte dos profissionais em outras atividades ou unidades e solicitou reunião prévia com o sindicato, conforme exigência do STF para dispensas em massa, comprometendo-se a não demitir antes da intervenção sindical. Enquanto isso, a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo prepara medidas para facilitar a recolocação dos trabalhadores que eventualmente forem demitidos. A reportagem procurou a Vetorial e a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), mas não houve retorno até a publicação.





