A Bolívia decide neste domingo o futuro do país, elegendo um novo presidente e renovando seu parlamento, composto por 130 deputados e 36 senadores. Apesar do favoritismo de candidatos da direita, a eleição apresenta incertezas devido ao elevado número de eleitores indecisos, que representam 23% do eleitorado.
Jorge “Tuto” Quiroga, ex-presidente e figura da direita, lidera as pesquisas, seguido por Samuel Doria Medina, considerado um nome mais moderado dentro do espectro político de direita.
Um possível racha no Movimento ao Socialismo (MAS), partido que governou a Bolívia desde 2006, levanta a possibilidade do fim de um ciclo de 19 anos de governos de esquerda no país. O ex-presidente Evo Morales, impossibilitado de concorrer, tem incentivado o voto nulo. Andrónico Rodríguez, atual presidente do Senado, e Eduardo del Castillo, ex-ministro do governo de Luis Arce (MAS), aparecem em posições mais distantes nas pesquisas.
Analistas apontam que o alto índice de votos indefinidos, somado às dificuldades de mensurar o voto em áreas rurais, tornam o resultado imprevisível. Pesquisas recentes mostram que uma parcela significativa da população ainda não decidiu seu voto ou pretende votar em branco ou nulo.
Quiroga, que já foi ministro da Fazenda e vice-presidente, defende um rompimento de relações com Venezuela, Cuba e Irã, mas planeja manter a Bolívia como membro parceiro do Brics. Ele também questiona a participação do país no Mercosul, propondo um acordo com Chile e Argentina para a exploração de lítio.
Adotando uma postura similar ao presidente argentino Javier Milei, Quiroga promete cortar gastos públicos drasticamente, utilizando uma “motosserra” para reduzir o tamanho do governo. Ele também sinaliza reformas econômicas, judiciais e constitucionais, com a possível libertação de Luiz Fernando Camacho, preso pelos motins de 2019 que levaram à renúncia de Evo Morales.





