A poucos meses da COP30, evento que trará os olhos do mundo para a Amazônia, o Brasil enfrenta o desafio de garantir que a conferência não seja lembrada por problemas logísticos e especulação, mas sim por avanços concretos na agenda climática global. Belém, a cidade anfitriã, oferece um cenário único, rico em cultura, história, e como porta de entrada para a maior floresta tropical do mundo. Receber a COP30 representa uma oportunidade de evidenciar o potencial turístico e a relevância estratégica da capital paraense no debate climático global.
No entanto, uma escalada abusiva nos preços de hospedagens ameaça a diversidade de participantes. Diárias em hotéis e plataformas online, que antes custavam em média R$ 200, agora chegam a R$ 2.000, inviabilizando a presença de delegações de países em desenvolvimento, povos indígenas, ONGs e universidades, vozes cruciais para equilibrar as negociações. O evento corre o risco de se restringir a grandes corporações e países ricos, em contradição com os princípios de equidade e justiça climática defendidos pela ONU.
Paralelamente à crise hoteleira, Belém enfrenta gargalos estruturais significativos. Obras essenciais, como a reforma do Centro de Convenções Hangar, apresentam atrasos. O sistema de transporte público prometido (BRT) ainda não está completo. A infraestrutura de saneamento básico é insuficiente, expondo 30% da cidade a inundações frequentes. Esses problemas questionam a capacidade da cidade de receber as 40 a 50 mil pessoas esperadas.
A situação já repercutiu internacionalmente, com um abaixo-assinado de 25 países pedindo a mudança da sede da COP30 para outra cidade ou país. Em junho, o governo brasileiro prometeu controlar os custos e garantir a acessibilidade do evento. Em agosto, o Comitê de Logística da ONU se reunirá com representantes do Brasil para exigir planos claros, incluindo subsídios para hospedagem e alternativas como alojamentos em universidades e espaços públicos.
O Brasil, detentor de 60% da Amazônia, tem a chance de transformar a COP30 em um marco de liderança climática. A menos que medidas imediatas e eficazes sejam tomadas, a conferência corre o risco de se tornar um exemplo de improvisação e desigualdade, com graves prejuízos diplomáticos e para a imagem do país.





