Campo-grandense teme piora na renda e vê tarifas dos EUA como risco para economia

Moradores de Campo Grande demonstram pessimismo em relação à economia. Uma pesquisa recente aponta que a maioria da população da capital sul-mato-grossense acredita que sua situação financeira pessoal irá se deteriorar nos próximos 12 meses.

O levantamento, que ouviu 553 moradores com 16 anos ou mais entre os dias 15 e 18 de agosto de 2025, revela que 56,9% dos campo-grandenses esperam uma piora em suas finanças. Apenas 8,3% vislumbram melhora, enquanto 26,4% preveem estabilidade.

Essa perspectiva negativa pode impactar o consumo das famílias na cidade, onde o setor de comércio e serviços tem peso significativo no Produto Interno Bruto (PIB) municipal. A retração das expectativas sugere um cenário desafiador para comerciantes, prestadores de serviços e o mercado de crédito.

O estudo também investigou a percepção da população em relação a fatores externos, especialmente as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Uma parcela expressiva, 85,9% dos entrevistados, acredita que essas tarifas podem prejudicar a economia brasileira. Apenas 9,2% consideram que não haverá impacto.

Essa preocupação reflete a dependência de Mato Grosso do Sul do agronegócio exportador. Tarifas que reduzam a competitividade brasileira afetam o setor agrícola, as indústrias de processamento e o comércio urbano em Campo Grande.

As tarifas comerciais dos Estados Unidos, em vigor desde 6 de agosto, atingem a indústria sul-mato-grossense, principalmente o setor de carnes e miudezas comestíveis. Levantamento aponta Campo Grande como a cidade com maior impacto, com mais de US$ 117,5 milhões em exportações afetadas. Nova Andradina, Naviraí e Bataguassu também sofrem perdas significativas.

Além da carne bovina, outros setores, como açúcar, produtos de confeitaria, gorduras, óleos de origem animal ou vegetal, preparações alimentícias, papel e cartão, também sentem os efeitos das barreiras comerciais.

O pessimismo é mais acentuado entre as mulheres, com 60,2% prevendo queda na renda, em comparação com 53,1% dos homens. A faixa etária de 35 a 44 anos é a mais pessimista, com 62,7% acreditando em piora financeira.

Quanto à percepção sobre as tarifas externas, o consenso é amplo entre as diferentes faixas etárias, com mais de 75% acreditando que elas prejudicam a economia brasileira. A faixa entre 25 e 34 anos é a mais preocupada, com 88,6% apontando um impacto negativo.

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