A esperada abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira enfrenta obstáculos e pode demorar mais do que o previsto. O embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, ressaltou que a decisão é de caráter técnico e depende da aprovação de autoridades sanitárias independentes de interesses comerciais.
Especialistas dos ministérios da Agricultura de ambos os países estão em diálogo, trocando informações cruciais. No entanto, Hayashi enfatizou que o mercado japonês permanece fechado para a carne bovina brasileira. Uma comissão de especialistas em saúde animal é responsável por avaliar e aprovar a importação de carne bovina de estados como Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, aplicando critérios rigorosos.
A principal barreira à entrada da carne brasileira no Japão é a preocupação com a febre aftosa. Apesar de o Brasil ter obtido o reconhecimento oficial de país livre da doença sem vacinação em maio, as autoridades japonesas adotam padrões ainda mais exigentes, avaliando o período sem registros da doença por região. Os estados do Sul, como Santa Catarina (livre de aftosa sem vacinação desde 2005) e Paraná (desde 2021), levam vantagem nesse quesito.
A condição de país insular do Japão também influencia seus critérios de importação de produtos de origem animal, que são mais rigorosos do que os aplicados a países continentais.
“Nossos especialistas querem condições um pouco mais rigorosas que em outros países continentais É por isso que estamos investigando mais as condições do Brasil”, explicou Hayashi.
No Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém a expectativa de concluir o processo de abertura do mercado japonês em novembro. O ministro Carlos Fávaro afirmou que auditorias japonesas já foram realizadas no Brasil, gerando questionamentos ao Mapa e ao sistema brasileiro que estão sendo respondidos.
O Japão é um mercado premium para carne bovina, pagando cerca de 30% a mais, mas exigindo alta qualidade, marmoreio, maciez e rastreabilidade completa. O país é o sétimo maior importador global de carne bovina, com cerca de 700 mil toneladas anuais, representando 57% do seu consumo interno. O Itamaraty estima que 70% da carne consumida no Japão seja importada, movimentando entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões por ano.
Enquanto a carne bovina aguarda a liberação, a carne de frango de Mato Grosso do Sul ganha espaço no mercado japonês. Atualmente, 18% da carne de frango exportada pelo estado tem o Japão como destino. A Embaixada do Japão no Brasil tem trabalhado para regionalizar os critérios de compra da carne de frango brasileira, especialmente em tempos de gripe aviária, restringindo o fechamento do mercado apenas à origem do foco da doença. Quase 30% da carne de frango consumida no Japão vem do Brasil.






