Na manhã deste domingo (20), uma carreta que transportava aproximadamente 15 toneladas de acetato de etila foi retida durante uma operação de fiscalização na fronteira entre Corumbá e a Bolívia. O acetato de etila, conhecido como "solvente nobre", tem aplicações industriais, mas também é utilizado no processo de refino da cocaína. A abordagem da carga ocorreu por volta das 8h30 e contou com a participação de equipes da Receita Federal e da Polícia Federal.
Durante a fiscalização, os agentes observaram que a carga transportada não correspondia aos dados registrados na nota fiscal apresentada. O veículo, o produto e o motorista foram encaminhados para a unidade da Polícia Federal em Corumbá, onde a eventual ocorrência de crime e as circunstâncias do transporte serão analisadas. Não há informações sobre a detenção do condutor até o momento.
O acetato de etila é um composto químico que pode ser empregado na transformação da cocaína-base em cloridrato de cocaína, que é a forma da droga mais comum no mercado. A Receita Federal indicou que, em média, traficantes utilizam um litro desse solvente para cada dois quilos de cocaína processada. Com base nessa proporção e na quantidade encontrada, estima-se que a carga poderia ser utilizada na produção de cerca de 30 toneladas da droga, embora isso não signifique que havia cocaína junto ao carregamento.
A operação de fiscalização envolveu servidores do Grupo Regional de Vigilância e Repressão (GRVR) da 1ª Região Fiscal, além de policiais federais especializados lotados em Corumbá. A Receita Federal destacou que tem intensificado o monitoramento de precursores químicos na fronteira, em resposta a tentativas recorrentes de desvio dessas substâncias para o narcotráfico.
A ação visa impedir que produtos que têm uso permitido sejam desviados para laboratórios relacionados ao tráfico de drogas. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a origem e o destino declarados da carga, bem como a identificação da empresa responsável pelo transporte e o local exato da abordagem. O caso permanece sob investigação pela Polícia Federal.




