A delegada Anne Karine Trevisan, responsável pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) de Mato Grosso do Sul, apresentou novas informações sobre a investigação da Operação Lívia. Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã de quinta-feira (17), ela destacou que a adolescente de 13 anos, conhecida como Lívia, foi coagida por um grupo a realizar ações que envolviam atrair outras meninas e até praticar atos de violência contra animais. Essa dinâmica revela a estrutura organizada desses grupos, que são referidos por seus integrantes como "panelas".
Lívia foi submetida a um intenso processo de coerção que culminou em sua morte em 22 de julho. Durante a coletiva, Anne Karine informou que a adolescente foi pressionada por várias ameaças, não apenas uma única, o que agravou a situação de vulnerabilidade em que se encontrava. A delegada afirmou que essa pressão constante foi crucial para a realização do ato que resultou no falecimento da jovem.
Além disso, a investigação mostrou que as vítimas eram forçadas a se automutilar como parte do controle exercido pelos grupos. Em algumas situações, as adolescentes eram obrigadas a escrever o nome de membros do grupo com o próprio sangue. No caso de Lívia, a polícia confirmou que ela passou por esse tipo de violência antes de sua morte, e Uma Bíblia utilizada pela jovem em rituais de automutilação foi apreendida como parte do material coletado pela investigação.
A análise do material digital apreendido ainda está em andamento. A delegada Anne Karine indicou que a Polícia Civil ainda não conseguiu contabilizar todas as informações obtidas nas duas fases da operação, uma vez que há diversas extrações de celulares que precisam ser examinadas individualmente. Caso sejam encontrados crimes relacionados a vítimas de outros estados, as informações serão encaminhadas para as respectivas polícias, visto que o foco atual é o caso de Lívia.
Anne Karine também orientou os responsáveis a ficarem atentos ao que crianças e adolescentes consomem na internet, ressaltando a importância de monitorar as conversas e de utilizar mecanismos de controle parental. “Antes, o perigo estava na rua. Hoje, ele está dentro do espaço virtual”, alertou a delegada, enfatizando a necessidade de vigilância no ambiente digital. A investigação da Operação Lívia segue em curso, visando identificar todos os envolvidos e possíveis novas vítimas.




