Uma amiga de 28 anos de Gabriella dos Santos, mulher trans de 27 anos morta por tiros da pm na tarde de segunda-feira, questionou a necessidade dos disparos. Ela afirmou reviver a pergunta ‘será que precisava de três tiros?’ enquanto lembrava da vida da companheira, que havia completado 28 anos no dia da morte. A vítima foi atingida no peito, abdômen e perna após um soldado atirar durante uma abordagem nas proximidades da Praça Santo Antônio, área com frequência de usuários de drogas.
A amiga, que preferiu não se identificar, relatou que Gabriella era uma pessoa amável e bem-educada quando não estava sob efeito de substâncias. Segundo ela, a vítima havia conseguido um emprego no setor de limpeza e seria a única mulher trans na equipe. A morte ocorreu após o corpo de Bombeiros socorrê-la, mas ela não resistiu e faleceu na Upa do Coronel Antonino, onde foi levada.
Enquanto o caso é tratado como morte decorrente de intervenção de agente do Estado, entidades como a Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul classificaram a ocorrência como ‘extermínio’ e exigiram apuração técnica imediata. Outro grupo, porém, considerou a reação dos policiais proporcional e apoiou os militares, que sofreram ferimentos leves, como escoriação no nariz e arranhão no punho.
Gabriella será sepultada hoje em Terenos, cidade onde iniciou sua vida com a amiga, e a mulher trans afirmou o desejo de uma despedida mais próxima, em velório. Ela também lamentou a ausência de uma ‘morte digna’ e a imagem distorcida de quem vive nas ruas, reforçada pela violência registrada na abordagem.






