A aposentada Santina de Campos, de 76 anos, está internada na Santa Casa há quase uma semana, aguardando a realização de uma endoscopia de urgência. De acordo com sua filha, Angela Maria Campos, de 54 anos, o procedimento ainda não foi realizado devido à ausência de anestesistas. Santina, que é renal crônica, apresenta quadro de sangramento intenso, vômitos e fraqueza, e já recebeu nove transfusões de sangue desde sua internação.
Santina deu entrada no hospital na segunda-feira, dia 5, às 7h. Por volta das 15h daquele dia, sua condição se agravou, levando-a a ser transferida para a ala vermelha. A filha relata que a mãe estava em estado crítico, gritando de dor e sangrando excessivamente. Na terça-feira, às 11h30, Angela foi informada de que sua mãe havia sido movida para a ala verde, onde os médicos indicaram a necessidade de uma endoscopia devido à suspeita de uma úlcera.
Angela relata que, apesar da recomendação médica, a equipe do hospital informou que não havia anestesista disponível para realizar o procedimento. Em várias ocasiões, Santina ficou em jejum por longos períodos enquanto aguardava a endoscopia. Na quarta-feira, por exemplo, ela ficou sem comer das 7h às 17h, e na quinta-feira, novamente das 7h às 17h, quando o procedimento foi cancelado.
A situação se torna ainda mais alarmante, uma vez que a idosa continua perdendo sangue e necessita de transfusões. Angela também mencionou que sua mãe não conseguiu realizar a hemodiálise devido ao seu estado debilitado. Com a saúde da aposentada se deteriorando, a filha expressa temor de que a situação se agrave ainda mais se a endoscopia não for realizada rapidamente.
Angela critica a administração do hospital e afirma que a responsabilidade pela situação não recai sobre os médicos, mas sim sobre a falta de infraestrutura e recursos. Além disso, ela reclama da escassez de informações sobre o estado de saúde da mãe e a dificuldade em obter cópias dos exames realizados.
A Santa Casa enfrenta uma crise financeira que tem impactado a realização de cirurgias desde o ano passado. Problemas como greves e falta de materiais já foram reportados anteriormente. Atualmente, a instituição também lida com a repercussão da Operação Antidotum, conduzida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que investiga fraudes e desvios de recursos em contratos, o que agrava ainda mais a situação.






