Artesãos transformam Brasília em miniaturas e resgatam a memória da cidade

Com óculos de proteção e máscara, o artesão Agnaldo Noleto, de 56 anos, inicia sua rotina diária às 3h para dar vida a miniaturas de monumentos de Brasília em sua oficina localizada em Santo Antônio do Descoberto (GO). Utilizando resina, madeira e tinta, Agnaldo produz, em média, 850 peças por semana, que são vendidas em feiras locais, tornando-se lembranças tanto para turistas quanto para os moradores da região. A Catedral de Brasília é sua principal inspiração, refletindo o amor que desenvolveu pela cidade, que comemorou 66 anos no dia 21 de abril.

A história de Agnaldo começou aos 14 anos, quando, após se mudar de Riachão (MA) para Brasília em 1980, começou a ganhar dinheiro vigiando carros no estacionamento da catedral. Ele relembra que sempre sonhou em ser artista, dedicando sua infância a criar carrinhos de madeira e outros objetos com argila. O verdadeiro caminho para o artesanato, no entanto, se consolidou mais tarde, ao conhecer a pedra-sabão, que foi substituída pela resina devido à presença de amianto. Agnaldo aprendeu a esculpir e a montar suas peças, perguntando sempre aos clientes: “uma lembrancinha hoje?”

Ele destaca a importância do artesanato, que considera parte de sua cultura. A primeira peça que criou foi uma homenagem à escultura Os Candangos, um monumento de oito metros de altura localizado na Praça dos Três Poderes, cuja obra foi assinada em 1959. Ao lado de sua banca, Rodrigo Gomes, de 41 anos, natural de Anápolis, deixou a profissão de mototaxista para se dedicar à reprodução da arquitetura da capital. Ele cria peças novas que agrupam monumentos em uma base representativa do Brasil, chamada de “Mapa Candango”, e enfatiza que cada miniatura é feita à mão.

Rodrigo menciona a necessidade de criatividade para destacar seus trabalhos, afirmando que Brasília em si é um grande monumento. A comerciante Tânia Bispo, de 58 anos e residente no Gama, também se dedica à venda de miniaturas em uma banca próxima à de Rodrigo. Tânia começou sua trajetória comercial vendendo água de coco e, atualmente, seu marido cuida dessa atividade enquanto ela se dedica à venda de suas peças. Moradora da capital há 30 anos, Tânia se sente parte integrante da construção da cidade, lembrando que já trabalhou como diarista e se considera realizada com sua nova vida.

Com essas histórias, os artesãos não apenas vendem miniaturas, mas também preservam a memória e a cultura de Brasília, mostrando a essência de uma cidade que continua a encantar seus habitantes e visitantes. Cada peça criada é um pedaço da história da capital, refletindo o amor e a dedicação de seus criadores.

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