Auditoria revela irregularidades em abastecimento de ambulâncias da Sesau

Uma auditoria realizada pelo Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande trouxe à tona irregularidades preocupantes no abastecimento da frota da Secretaria de Saúde (Sesau). O relatório revelou que três ambulâncias, que deveriam operar com Diesel S-10, apresentaram registros de abastecimento com gasolina comum. Os veículos em questão, modelos Jumper, têm as placas NRL9132, OOR8627 e OOR8628, e entre 1º e 10 de outubro de 2025, constaram dez abastecimentos adequados ao tipo de combustível. No entanto, a partir de 13 de outubro, a situação mudou, com os lançamentos começando a indicar gasolina comum.

Além da alteração no tipo de combustível, a auditoria identificou padrões alarmantes nas transações de abastecimento. Em 101 ocasiões, as três ambulâncias foram registradas no sistema realizando operações em intervalos de até dez minutos. Em 87 dessas ocasiões, os dados mostraram que a quantidade de litros e o valor do abastecimento eram idênticos. Um exemplo notável ocorreu no dia 13 de outubro, quando as ambulâncias foram vistas no Posto Campo Grande com registros às 19h27, 19h31 e 19h32, cada uma com 69,32 litros e custo total de R$ 400.

O relatório, assinado por Jader Vasconcelos, coordenador da Mesa Diretora do Conselho Municipal de Saúde, destaca que as inconsistências observadas necessitam de explicações por parte da administração. Vasconcelos ressaltou que a mudança nas ambulâncias, que passaram a registrar gasolina comum, é um ponto que requer investigação mais aprofundada. "Três ambulâncias Jumper cadastradas como Diesel S-10 passaram a registrar gasolina comum a partir de 13/10/2025. Em 101 datas, há trios de abastecimento dessas três placas dentro de dez minutos; em 87 trios, os litros e valores são idênticos", afirmou.

As falhas não se restringem às ambulâncias. A auditoria também detectou 120 transações envolvendo 81 veículos que apresentaram saltos de quilometragem superiores a 50 mil quilômetros entre um abastecimento e outro. Em alguns casos, as diferenças registradas chegam a dezenas de milhões de quilômetros, o que é considerado incompatível com o uso normal da frota. O relatório sugere que essas discrepâncias são mais indicativas de falhas sistemáticas na captura ou digitação dos dados do que de movimentações reais dos veículos.

Diante dessas constatações, o Conselho Municipal de Saúde exige respostas da Sesau sobre as falhas no controle da frota e os 120 registros de quilometragem irreal, além das irregularidades relacionadas ao abastecimento de gasolina em ambulâncias que deveriam ser abastecidas com diesel. A Prefeitura de Campo Grande foi contatada para fornecer esclarecimentos sobre as questões levantadas, mas até o fechamento da matéria não havia se manifestado.

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