A chegada de grandes manchas de plantas aquáticas ao município de Bataguassu, localizadas a 240 km do reservatório da Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, em Ribas do Rio Pardo, tem gerado preocupações nas autoridades locais. Imagens aéreas revelam a extensão da vegetação nas imediações da ponte da MS-395 e nas proximidades da confluência do Rio Pardo com o Rio Paraná.
As macrófitas, conhecidas como "alfaces-d'água", se concentravam inicialmente no reservatório da usina, mas começaram a descer o rio após a abertura das comportas. Antes de atingir Bataguassu, a vegetação já havia sido identificada em Santa Rita do Pardo, especialmente em áreas próximas à MS-040. Moradores da região relataram que, embora já tenham visto a presença de plantas aquáticas em outras ocasiões, nunca na quantidade observada atualmente, o que chamou a atenção da comunidade.
Na quarta-feira, dia 19, a situação chegou à Assembleia Legislativa, onde o deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) apresentou um requerimento solicitando explicações e ações do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). O deputado questionou a justificativa técnica para a abertura das comportas da usina e se houve avaliação dos potenciais impactos ambientais e sociais decorrentes do deslocamento das macrófitas.
Caravina também indagou sobre as medidas que serão adotadas para a remoção das plantas acumuladas em Santa Rita do Pardo e Bataguassu. Em resposta à situação, a usina foi notificada a elaborar um plano de limpeza e remoção contínua das macrófitas do reservatório, além de implementar ações para diminuir a retenção de matéria orgânica.
O Imasul também indicou a necessidade de adequações na Estação de Tratamento de Esgoto de Ribas do Rio Pardo e sugeriu a adoção de práticas de conservação do solo em propriedades rurais, bem como melhorias no saneamento de loteamentos e ranchos. Em uma declaração anterior, a Suzano, responsável pela operação da usina, afirmou que atua em conformidade com a legislação e os parâmetros do licenciamento ambiental, além de manter um monitoramento contínuo de seus processos e diálogo com os órgãos reguladores.
A empresa destacou que o relatório do Imasul atribui as condições observadas no reservatório a diversos fatores presentes na bacia hidrográfica, e que os esclarecimentos técnicos solicitados já foram fornecidos ao órgão ambiental, reafirmando sua disposição para colaborar com o Imasul.






