Um incidente envolvendo um avião de pequeno porte chamou a atenção das autoridades após a aeronave realizar um voo por baixo da ponte internacional em construção sobre o Rio Paraguai, na região de Porto Murtinho. A manobra, considerada de alto risco e proibida, ocorreu enquanto 78 trabalhadores estavam na obra, conforme apuração do Campo Grande News. Vídeos do momento já circulam entre os operários, mostrando a aeronave passando em baixa altitude e muito próxima à estrutura. Em uma das gravações, capturada de dentro do próprio avião, é possível ouvir vozes femininas alertando sobre a proximidade da ponte durante o sobrevoo.
A identificação do piloto ainda não foi confirmada, mas a aeronave apresenta o prefixo com a sigla “PT”, que é padrão brasileiro. Renê Gomez, engenheiro civil paraguaio responsável pela coordenação da obra, classificou a manobra como irresponsável e já denunciou o caso às autoridades competentes. Ele ressaltou que a ação não apenas coloca em risco a vida dos trabalhadores, mas também compromete a integridade da estrutura que está em construção.
As regulamentações da Força Aérea Brasileira, da Agência Nacional de Aviação Civil e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo proíbem voos sob pontes ou manobras rasantes nas proximidades de estruturas. As consequências de tal ato podem incluir colisões com a ponte, instabilidade provocada por ventos, falhas mecânicas ou erros humanos. Em um contexto onde há dezenas de pessoas trabalhando sobre o rio e equipamentos pesados em operação, o risco se torna coletivo. Além disso, esse tipo de manobra é frequentemente considerado exibicionismo perigoso, sem justificativa operacional.
A legislação vigente prevê penalidades para ações desse tipo. Pilotos que realizam manobras consideradas perigosas podem ser acusados de atuação temerária, o que pode resultar na abertura de um inquérito e, se condenados, enfrentar penas de até cinco anos de prisão. Outro fator que complica a situação do piloto é a falta de qualquer autorização especial. Voos acrobáticos são permitidos apenas em condições específicas e com um planejamento formal, o que claramente não se aplica ao caso em questão.
Esse episódio acontece em um momento crítico na construção da ponte da Rota Bioceânica, um projeto fundamental para a conexão entre Brasil e Paraguai. Iniciada em 2022 e financiada pela Itaipu Binacional, a obra está na fase final, com o “beijo das aduelas”, que simboliza a união das duas partes da ponte no centro do rio, previsto para ocorrer no final de maio. Portanto, este é um período de operações intensas e simultâneas.
A ponte integra um corredor logístico que visa conectar o Centro-Oeste brasileiro ao Oceano Pacífico, com o objetivo de reduzir custos e o tempo de exportação.






