A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Dedfaz, instaurou inquérito para investigar uma possível falsificação de documento público e uso de documento falso. O material questionado foi protocolado pela Biosev S.A., durante o período em que a empresa integrava o grupo Raízen, em um processo junto ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).
A investigação teve início após a Corregedoria da Reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) identificar a falsificação de documentos que seriam da Coleção Zoológica da instituição. As declarações sob suspeita, datadas de 11 de novembro de 2024, mencionam o recebimento de exemplares da fauna e flora coletados durante o projeto “Monitoramento ambiental das comunidades terrestres na área de influência do empreendimento Raízen S.A. – Filial Passa Tempo”. Outro documento similar cita a filial Rio Brilhante.
A UFMS alega que a emissão de cartas de anuência é realizada exclusivamente via e-mail institucional da Coleção Zoológica, e não há registros das declarações em questão. O último contato com a Biosev data de 2019. Além disso, a universidade aponta que a estética, o logotipo e o padrão do documento investigado não correspondem aos das cartas de anuência emitidas pela instituição. Também foi identificado que o termo utilizado no documento “Coleção Zoológica de Referência da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul” está desatualizado desde 2019, quando o nome oficial passou a ser Coleção Zoológica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Outra irregularidade apontada é a assinatura de Gustavo Graciolli, que, segundo a UFMS, não exerce mais atividades de curadoria na Coleção Zoológica desde 2021. A universidade também destacou que as assinaturas manuais presentes no documento, datado de 2024, não condizem com a prática adotada, já que, a partir de dezembro de 2023, os documentos passaram a ser assinados eletronicamente.
A Polícia Civil, sob a condução da delegada Ana Luiza Noriler da Silva Carneiro, planeja submeter Gustavo Graciolli e Sílvia Maria Albuquerque de Souza a exames periciais para verificar a autenticidade de suas assinaturas.
As usinas Rio Brilhante e Passa Tempo foram vendidas à Cocal em agosto deste ano.
A Raízen informou ter tomado conhecimento da situação e que, até o momento, não foi notificada sobre o inquérito. A Cocal não foi encontrada para comentar o caso.





