Bolívia vira destino de traficantes foragidos e PF cria comissão na fronteira

A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul intensificou o monitoramento na fronteira com a Bolívia, visando impedir a fuga de criminosos brasileiros ligados a facções e combater o tráfico de drogas e armas. O país vizinho tem se tornado um refúgio para procurados pela Justiça.

O crime transfronteiriço e as conexões de organizações criminosas no Brasil e no exterior exigem que as forças de segurança atuem de forma integrada. Para fortalecer essa cooperação, policiais bolivianos participaram de um intercâmbio em Campo Grande no mês passado, com equipes atuando na Superintendência da PF.

Essa operação, autorizada pelos governos brasileiro e boliviano, envolveu o compartilhamento de bancos de dados de criminosos envolvidos em roubo de veículos na fronteira. Uma próxima etapa prevê a instalação permanente de policiais bolivianos em território brasileiro, estratégia intensificada após a operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. A ação se concentrará em Corumbá, com recursos da Polícia Federal.

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta Dangelo, enfatizou a importância da integração para combater o crime organizado. “Os criminosos não respeitam limites. O caminho único é a integração”, afirmou, destacando a vinda de policiais bolivianos para Corumbá para troca de dados de inteligência.

A rota de fuga de criminosos brasileiros para países vizinhos é uma prioridade para as forças de segurança. “Temos plena consciência da complexidade da situação. Temos a fronteira com o Paraguai e a Bolívia”, ressaltou Dangelo. “A Bolívia é o terceiro maior produtor de cocaína do mundo, já o Paraguai é o maior produtor de maconha do mundo. Ainda temos a questão do tráfico de armas e o contrabando.”

A Polícia Federal já atua na Bolívia, em La Paz e Santa Cruz de la Sierra, para investigações e aproximação com autoridades locais. Mesmo após a troca de governo, o trabalho em conjunto com a nova equipe do presidente Rodrigo Paz Pereira continua.

Este ano, a polícia boliviana prendeu vários procurados pela Justiça com ligações a organizações criminosas. Fábio Corrêa da Costa foi o último a ser preso e extraditado, em outubro, por envolvimento na distribuição de armas e tráfico de drogas. Lenil Pretti Justiniano e Juliano Biron também foram presos em operações conjuntas. Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, liderança do PCC, foi localizado e preso em Santa Cruz de la Sierra, onde vivia com documentos falsos. Outros criminosos, como Gerson Palermo, também são alvos dessa cooperação.

A Delegacia da Polícia Federal em Corumbá tem um novo chefe, o delegado Alexsandro Pereira de Carvalho, especializado em combate ao crime organizado. “A nossa missão conta com a integração de todas as forças de segurança. Já estou tabulando os contatos para oficializar um acordo de cooperação para troca de informações em comando bipartite com as forças de segurança da Bolívia”, declarou Alexsandro. Ele substituirá o delegado Bernardo Marques Pacheco, que assumirá um novo posto na PF em Campo Grande.

A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul busca apoio político para ampliar as ações de combate ao crime organizado na fronteira com a Bolívia, tentando destinar entre R$ 28 milhões e R$ 30 milhões de emendas para construir uma nova sede da Delegacia da PF em Corumbá.

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