Na tarde do último domingo (14), um ato de solidariedade ao povo boliviano ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), localizado na Avenida Paulista. A manifestação foi organizada por bolivianos que vivem no Brasil, com o apoio de movimentos sociais e sindicalistas. Os participantes exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, além da revogação da Lei de Estado de Exceção, que permite a repressão de protestos por parte das Forças Armadas na Bolívia.
Rafaela Vilaça, integrante do movimento FeminismoComunitário de Abya Yala – Tecido Pindorama Brasil e uma das organizadoras do ato, enfatizou que o evento tinha como objetivo expressar apoio aos protestos que ocorrem na Bolívia. “É para a gente colocar a nossa solidariedade e colocar que o que acontece com o povo na Bolívia também acontece aqui com o povo brasileiro. Além disso, a luta da Bolívia é a luta do Brasil hoje também”, afirmou.
O governo de Rodrigo Paz enfrenta uma onda de manifestações pedindo sua saída, que envolvem camponeses, indígenas, professores e mineiros, entre outras categorias. Os bloqueios em estradas resultaram em desabastecimento em diversas áreas do país andino, provocando escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos nas cidades afetadas. Desde a posse de Paz, em dezembro de 2025, medidas como um decreto que retirava o subsídio à gasolina têm gerado descontentamento e mobilizações.
As manifestações se intensificaram após camponeses e indígenas denunciarem que novas leis fundiárias estavam sendo implementadas para beneficiar grandes empresários do agronegócio em detrimento de pequenos agricultores. Rafaela Vilaça criticou a situação econômica na Bolívia, afirmando que “a Bolívia hoje também sofre pelos altos preços e pela falta de combustível. Além disso, os governos anteriores da Bolívia tinham um processo em que os alimentos eram muito acessíveis à população. Hoje, isso já não acontece. Tem falta de alimento e o que tem é muito caro”.
A ativista destacou a importância da luta dos bolivianos, afirmando que “por isso os povos hoje estão na rua e em luta. Essa luta é defender os direitos dos bolivianos. E aqui em São Paulo isso não é diferente: os bolivianos estão aqui, mas estão também solidários ao que está acontecendo lá”.






