Brics Avança em Sistema de Pagamentos Alternativo ao Dólar

O grupo Brics, composto por 11 nações, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, intensificou as negociações para estabelecer um sistema de pagamento próprio, visando a redução da dependência do dólar em transações comerciais e financeiras. Este desenvolvimento foi destacado no comunicado emitido após a reunião dos ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do bloco.

De acordo com o documento, progressos significativos foram alcançados na identificação de caminhos para promover a “interoperabilidade” entre os sistemas de pagamento dos países membros. A iniciativa busca facilitar e estimular o uso de moedas locais nas transações internas do Brics, buscando reduzir custos operacionais e fortalecer a autonomia financeira do grupo.

Embora os detalhes específicos dos avanços não tenham sido divulgados, o comunicado indica que as discussões continuarão ao longo do segundo semestre, antecedendo a transição da presidência do Brics para a Índia, agendada para 1º de janeiro de 2026. O relatório “Sistema de Pagamentos Transfronteiriços do Brics”, elaborado pelo Banco Central do Brasil, foi citado como uma contribuição importante para os esforços em curso.

O objetivo central é criar um sistema que possibilite “pagamentos transfronteiriços rápidos, de baixo custo, mais acessíveis, eficientes, transparentes e seguros”, com o potencial de impulsionar o comércio e o investimento entre os países do Brics.

Além do sistema de pagamentos, os ministros e presidentes de Bancos Centrais anunciaram a revisão do Acordo de Reservas Contingentes (ARC), um mecanismo de auxílio financeiro mútuo estabelecido em 2014. A revisão visa incluir novas moedas no acordo, com o objetivo de aumentar a flexibilidade e a eficácia do mecanismo.

Na área de transição ecológica, o Brics iniciou discussões sobre uma linha de garantia multilateral, a ser desenvolvida pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco dos Brics. Essa linha de garantia busca reduzir o risco das operações e melhorar a qualidade de crédito dos países do Sul Global, impulsionando projetos sustentáveis sem a necessidade de aportes adicionais de capital pelos países membros.

Os 11 países do Brics representam, em conjunto, 39% da economia mundial, 48,5% da população global e 23% do comércio internacional. A 17ª Reunião de Cúpula do Brics, sob a presidência do Brasil, está programada para ocorrer no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho.

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