A caça de cervos e garças emergiu como uma das atividades econômicas mais lucrativas no Mato Grosso do Sul, atraindo caçadores de São Paulo e Minas Gerais. Esses visitantes se dedicavam a três principais atividades: a pecuária de vacas de pequeno porte, a produção de açúcar e cachaça, além da caça. Os Vales do Miranda e Ivinhema se destacaram pela abundância dessas espécies, que eram alvo dos caçadores.
Os caçadores, ao chegarem ao território sul-mato-grossense, se depararam com uma grande variedade de animais. "Todas as qualidades de caça de pelo e de asas, inclusive os cervos e veados de características diferentes" eram abatidos, e as rendas provenientes da caça frequentemente superavam as da indústria açucareira. As peles e penas coletadas tornaram-se produtos de valor no comércio local.
O transporte de pessoas e mercadorias exigia a utilização de cavalos, mulas e bois, que eram preparados para enfrentar os desafios das longas distâncias. Esse mercado em crescimento favoreceu os profissionais da caça, que encontraram na atividade uma fonte de sustento. A carne dos cervos não apenas servia para alimentação, mas as peles eram comercializadas a preços compensadores, sendo transformadas em petrechos de montaria, como selas e arreios.
Além dos cervos, as garças também eram alvo dos caçadores, cujas penas eram altamente valorizadas na Europa, especialmente para a confecção de chapéus femininos. Essa demanda internacional contribuiu para a expansão da atividade, consolidando a caça como um pilar econômico nas regiões dos Vales do Miranda e Ivinhema.
A interdependência entre a caça e a movimentação econômica na região revela como a exploração dos recursos naturais se tornou fundamental para os habitantes e os que chegavam ao Mato Grosso do Sul em busca de oportunidades. O sucesso da caça e o comércio de seus produtos moldaram a identidade econômica local, refletindo a interação entre o ecossistema e as atividades humanas na época.





