Câmara dos Deputados avalia suspensão de Marcos Pollon por ofensas a colega

Na última terça-feira (9), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, por 9 votos a 4, um parecer que indica a suspensão do deputado Marcos Pollon (PL) por um período de 60 dias. Essa recomendação agora deve ser votada pelo plenário da Câmara, e, caso aprovada, Pollon ficará impedido de exercer suas funções durante esse tempo.

O parecer foi apresentado pelo deputado Ricardo Maia (MDB-BA), que argumentou que Pollon ultrapassou os limites da atividade parlamentar ao atacar o deputado Hugo Motta durante uma sessão em agosto de 2025. Na ocasião, Pollon se manifestou em um protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele defendeu sua atuação, afirmando que o objetivo era proteger aqueles que não têm voz e que não se rendem à pressão política.

De acordo com o Código de Ética da Câmara, o parlamentar tem um prazo de cinco dias úteis para recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avaliará a regularidade do processo. O pedido de suspensão se baseia em um discurso proferido em agosto do ano anterior, durante uma manifestação em favor da anistia. Pollon defendeu que discursar é uma função essencial do mandato e é protegido pela Constituição.

Além dessa recomendação de suspensão, Pollon enfrenta outra representação ética que está em fase recursal na CCJ. Essa segunda situação refere-se a uma recomendação anterior de suspensão por mais dois meses, decorrente de sua participação na ocupação da mesa diretora em defesa de presos no dia 8 de janeiro. Apesar da ampla participação de mais de 100 parlamentares no ato, apenas Pollon, Marcell van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) sofreram sanções.

A ocupação do plenário da Câmara, realizada por membros da ala bolsonarista, durou mais de 30 horas após a decisão de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Os parlamentares envolvidos pedem a anulação do processo, alegando que a medida aplicada foi desproporcional. Neste contexto, a comissão revisará se houve falhas ou abusos durante o procedimento no Conselho de Ética, e a decisão final também será submetida à votação do plenário, onde são necessários 257 votos para a confirmação da suspensão.

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