A Lei dos Caminhoneiros (Lei nº 13.103/2015), em vigor há 11 anos, estabeleceu diretrizes para a jornada de trabalho dos motoristas e a criação de PPDs (Pontos de Parada e Descanso). Esses locais deveriam oferecer condições mínimas de segurança, higiene e conforto, permitindo que os caminhoneiros aguardem o carregamento ou descarregamento de suas cargas, além de cumprirem os períodos obrigatórios de descanso. Entretanto, a legislação deixou em aberto a responsabilidade pela criação e manutenção desses espaços, que pode ser atribuída à União, estados, municípios ou iniciativa privada.
Caminhoneiros que transitam frequentemente por Campo Grande manifestaram sua insatisfação com a falta de PPDs na cidade, especialmente na área do Polo Industrial Oeste. A reportagem recebeu queixas sobre a situação e foi até o local para verificar as condições. Celso, um caminhoneiro de 61 anos oriundo de Rondônia, destacou a precariedade do espaço. Ele mencionou que os motoristas precisam esperar para descarregar caminhões e que a falta de infraestrutura torna o ambiente inadequado para refeições, devido ao mato e à poeira. "A iluminação à noite também é precária, e dormimos em um local que não oferece segurança", afirmou.
Apesar das queixas, algumas empresas na área oferecem banheiro e água, mas os caminhoneiros ressaltam que isso não é suficiente. Celso enfatizou a necessidade de atenção do poder público, solicitando melhorias para a segurança e a manutenção do local, além de melhorias na iluminação, que durante a noite se torna extremamente limitada.
Outro caminhoneiro, Vladimir Gonçalves, de 50 anos, que atua na profissão há duas décadas, acredita que a situação em Mato Grosso do Sul é relativamente melhor em comparação a outras regiões do Brasil. "Aqui existem vários postos, embora a lotação dependa do horário", comentou, destacando que a busca por espaços alternativos pode ser um desafio.
Joel Muzi, de 44 anos, também apontou a falta de espaço apropriado para veículos de grande porte como um dos principais problemas. Ele observou que essa dificuldade não é exclusiva de Campo Grande, mas uma realidade crescente em várias partes do país. A reportagem buscou um posicionamento da Prefeitura Municipal de Campo Grande sobre a situação, mas até o momento não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação oficial do município.






