Campo Grande é um município que guarda vestígios de ocupação humana que remontam a mais de mil anos. De acordo com estudos arqueológicos, ao menos 36 locais foram identificados no município, distribuídos entre áreas rurais e urbanas.
A coordenadora do setor de museus e parques da PROECE, Laura Roseli Pael Duarte, explica que muitos desses sítios estão em propriedades privadas e outros em áreas urbanas. Um dos exemplos mais conhecidos é o sítio Córrego Prosa 01, localizado no Parque das Nações Indígenas.
Arqueólogos encontraram materiais líticos que são artefatos de pedra lascada e fragmentos cerâmicos, que ajudam a reconstituir a presença e os hábitos de antigos grupos humanos. Segundo a antropóloga Laura, parte desses materiais foi datada entre 635 e 1.300 anos antes do presente, o que permite estimar que a ocupação da região pode ter começado há mais de mil anos.
O acervo desses achados integra a reserva técnica e expositiva do Muarq, que reúne cerca de 200 mil peças em todo o estado. Os materiais encontrados revelam aspectos importantes do modo de vida dessas populações.
Os artefatos líticos eram usados para atividades como cortar, raspar e perfurar, típicas de grupos nômades caçadores-coletores. Já a presença de cerâmica indica um estágio mais avançado, com práticas como armazenamento e possíveis rituais, além do domínio da agricultura.
Arqueologia também ajuda a entender como esses grupos se deslocavam e ocupavam o território. Fatores como proximidade de água, oferta de alimentos e características do terreno eram determinantes para a escolha dos locais de permanência, ainda que temporária, já que muitos desses grupos eram nômades e se moviam conforme a disponibilidade de recursos.






