Casal de periquitos e morcegos forma família improvável debaixo do mesmo teto

A interação inusitada entre um casal de periquitos e uma família de morcegos chama atenção em uma residência no Jardim Panamá, em Campo Grande. O forro do imóvel serve como moradia improvisada para esses colegas improváveis, com direito a revezamento.

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Periquito que “divide” moradia com morcegos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem explica a “logística” é a jornalista Fernanda Mathias, moradora que observou as aves e os morcegos se apoderando do próprio teto.

“Eles dividem o mesmo espaço em horários diferentes. Ele e a companheira entram e saem nos horários opostos à família de morceguinhos. Os periquitos entram no fim do dia, enquanto os morcegos saem. Pela manhã, vemos o casal de periquitos saindo.”

Fernanda Mathias.

O vídeo abaixo mostra a “troca de turno” entre as aves e os morcegos.

Confira.

Fernanda conta que os morcegos sempre estiveram por lá, mas, em meados de dezembro, tiveram que dividir espaço com os periquitos, atraídos por um pé de goiaba.

O ornitólogo Alyson Melo, especialista no estudo de aves, explica que esse tipo de interação entre periquitos e morcegos não é comum, mas reflete um comportamento conhecido por ambientalistas: a sobreposição de nicho. Ou seja, espécies diferentes utilizam o mesmo local para repousar.

A interação entre os animais também é reflexo da presença cada vez mais comum dos periquitos da espécie maracanã na cidade.

“Nos últimos anos, os Psittaca leucophtalmus, periquitão-maracanã, têm ‘invadido’ cada vez mais os ambientes urbanos, usando o forro de casas como abrigo e local para se acomodar.”

Alyson Melo.

Quanto à presença dos morcegos, aparentemente trata-se de uma espécie comum na cidade, que contribui para o equilíbrio do habitat urbano, pois se alimenta de insetos, incluindo mosquitos vetores de doenças tropicais.

Segundo o especialista, a interação entre as espécies não representa risco à saúde dos animais nem dos moradores:

“Aparentemente, eles estão mantendo essa interação interespecífica sem maiores danos para ambos, pois utilizam o mesmo recurso — o abrigo — em momentos diferentes, sem competir por ele. Não há risco à saúde dos animais ou dos moradores.”

Alyson Melo.

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