Casas Bahia solicita recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões

O grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A solicitação foi feita na noite do último domingo (16/8), em meio a um cenário de dificuldades financeiras. A empresa reportou um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre de 2023, cifra que representa um aumento de 18 vezes se comparada ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a companhia busca renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, visando assegurar a continuidade das suas operações.

A decisão para solicitar a recuperação judicial foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador do grupo. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, que é especializado em processos relacionados a falências e recuperações judiciais. A empresa comunicou que, em um ambiente de liquidez restrita, a medida é considerada necessária para reestruturar suas finanças, preservar as atividades empresariais e encontrar uma solução ordenada para suas obrigações financeiras.

Entre os fatores que contribuíram para a situação financeira delicada da Casas Bahia estão as altas taxas de juros, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro. Além disso, o pedido de recuperação judicial abrange outras empresas do grupo, incluindo ASAP Log – Logística e Soluções Ltda., CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda., Cntlog Express Logística e Transporte Ltda., Globex Administração e Serviços Ltda., Cnova Comércio Eletrônico S.A., Integra Soluções para Varejo Digital Ltda. e Casas Bahia Tecnologia Ltda.

Esse não é o primeiro episódio em que a Casas Bahia recorre à recuperação judicial. Em 2024, a companhia havia realizado uma recuperação extrajudicial, onde renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.

Com a formalização do pedido de recuperação judicial, mudanças na alta administração da empresa também foram anunciadas. O executivo Fábio Spina deixou o cargo de vice-presidente Jurídico e Tributário após dois anos de atuação, sendo substituído por Sírley Lima, que possui mais de 20 anos de experiência em empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY. Além disso, houve a saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón, com Cláudia Quintella Woods assumindo uma vaga no Comitê de Auditoria Estatutário e André Luiz Helmeister se juntando ao Comitê de Finanças.

A reestruturação da Casas Bahia também inclui o fechamento de 298 lojas, o que representa cerca de 28,7% da rede, além da demissão de um número estimado entre 1,9 mil e 3 mil funcionários. O processo de demissão e fechamento das unidades teve início na semana passada, entre os dias 13 e 14 de agosto de 2026. A assessoria de comunicação da empresa foi contatada, mas não se pronunciou sobre a situação.

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