A Comunidade Tia Eva foi palco da primeira edição do Rota Cine MS Povos Tradicionais, um evento que transformou o Centro Comunitário local em um espaço de encontro cultural e emocional. Na quinta-feira (14), após o tradicional terço em homenagem a São Benedito, os moradores participaram de uma sessão de cinema, marcando uma experiência inovadora para a comunidade.
A exibição do curta-metragem sul-mato-grossense "As Marias", que retrata a vida e o envelhecimento de três irmãs trigêmeas, foi acompanhada de pipoca e refrigerante. Esta iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cidadania e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de levar produções audiovisuais a comunidades tradicionais do estado.
O projeto surgiu da necessidade de democratizar o acesso à cultura, conforme destacou Deividson Silva, subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial. Inicialmente, as exibições estavam previstas apenas para locais centrais, o que limitava a participação dos moradores das comunidades. Silva enfatizou a importância de levar o cinema diretamente às pessoas, especialmente àquelas que vivem em áreas mais afastadas.
A sessão gerou grande emoção entre os presentes, principalmente entre os idosos, que compartilharam lembranças ligadas ao cinema e à vida na comunidade. Antônio Borges, conhecido como Seu Borginho e com 71 anos, relatou que não frequentava um cinema há cerca de dez anos. Ele destacou a importância da oportunidade de assistir a um filme local e participar da experiência cultural, especialmente para as crianças que raramente saem da comunidade.
Irene Borges, outra moradora que vive na comunidade desde 2002, revelou que nunca havia entrado em uma sala de cinema até aquele momento. A atividade não apenas promoveu o entretenimento, mas também resgatou memórias e tradições, reforçando o sentimento de pertencimento cultural entre os moradores.
A iniciativa do Rota Cine não se limita a um único evento, mas faz parte de um esforço contínuo para integrar a cultura cinematográfica ao cotidiano das comunidades quilombolas, fortalecendo laços e promovendo o acesso à arte e à memória coletiva. Com ações como essa, o governo busca garantir que todos tenham a oportunidade de vivenciar e participar da cultura de forma inclusiva e acessível.






