A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros retornaram ao Residencial Atenas, conhecido como Carandiru, no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande, nesta sexta-feira (30). No entanto, ao contrário de outras ocasiões, em que o foco eram suspeitas de práticas criminosas, desta vez a visita teve caráter preventivo.

Os bombeiros realizaram uma vistoria de prevenção a incêndio e pânico nos blocos inacabados do condomínio, a pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar da Capital acompanharam a fiscalização.
“Essa operação tem caráter exclusivamente técnico e preventivo. Iniciamos as ações hoje visando avaliar as condições de segurança contra incêndio e pânico da edificação, bem como questões estruturais, sempre priorizando a segurança da população e dos moradores que vivem aqui.”
Tenente Bandeira, do Corpo de Bombeiros.
Os militares vistoriaram torre por torre, avaliando riscos de queda, possíveis ligações irregulares, corredores e escadas obstruídos, entre outros critérios. A fiscalização será detalhada em laudo e encaminhado ao MPMS.
“Com a colaboração dos moradores, tudo transcorreu tranquilamente, sem alterações.”
Capitão Rogério, do 9º Batalhão da Polícia Militar.
Histórico de abandono, vulnerabilidade e crime
Os apartamentos vistoriados ficam nas torres inacabadas, abandonadas pela Construtora Degrau Ltda., que decretou falência em 2003. Com a obra paralisada, o local acabou sendo ocupado por moradores em situação de vulnerabilidade.
Ao longo dos anos, entretanto, o endereço também passou a ser apontado como reduto do tráfico de drogas e “esconderijo” de objetos furtados ou roubados na região, conforme a polícia. Daí o apelido Carandiru, em alusão ao complexo penitenciário paulista, conhecido pelo massacre de detentos em 1992.
As batidas no local sempre foram frequentes, até que, em 6 de junho de 2023, o endereço foi alvo da mais emblemática delas: a Operação Abre-Te Sésamo.

A força-tarefa contou com 273 policiais civis, além de policiais militares do 9º BPM, Companhia de Canil do Batalhão de Choque, Grupamento Aéreo, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Perícia Técnica e Assistência Social, totalizando 321 agentes.
Foram realizadas buscas em 46 apartamentos, resultando na prisão de 13 pessoas, na apreensão de 12 kg de maconha e 2 kg de cocaína, além de duas armas de fogo (um revólver e uma pistola), cerca de 50 munições e R$ 20 mil em dinheiro.
Na ocasião, ficou evidente a situação insalubre em que vive a maioria das famílias no local, bem como os riscos à saúde e à segurança. Desde então, contudo, o impasse sobre a permanência dos moradores no residencial abandonado se arrasta, sem sinais de resolução.






