Como aproveitar a Copa do Mundo sem comprometer a saúde

A Copa do Mundo é um evento que proporciona momentos de confraternização, com amigos se reunindo para torcer e celebrar cada gol. No entanto, essa festividade pode impactar a rotina alimentar de muitos brasileiros, levando a excessos que podem ter consequências duradouras. Especialistas em saúde têm se mostrado preocupados com esse cenário, que se intensifica a cada jogo.

A nutricionista da Unidade Multiprofissional do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Laura Oliveira Pael, destaca que o problema não reside apenas em um evento isolado, mas na repetição de encontros ao longo das semanas de competição. Quando o consumo de petiscos calóricos, refrigerantes e bebidas alcoólicas se torna uma constante, os riscos para a saúde aumentam consideravelmente.

Os dados do Ministério da Saúde revelam que mais da metade da população brasileira já sofre com o excesso de peso, um fator que está diretamente ligado ao aumento de doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares. Laura explica que o desafio maior é a continuidade dos excessos. Com jogos programados por várias semanas, o consumo de alimentos e bebidas pouco saudáveis se torna quase diário, o que, somado à ansiedade durante as partidas e ao comportamento de grupo, pode levar a um aumento significativo na ingestão calórica.

Os petiscos que demandam atenção especial incluem os ultraprocessados e frituras, como salgadinhos, batata frita e embutidos. Esses alimentos, além de causarem desconfortos como azia e má digestão, são ricos em sódio e gorduras saturadas, contribuindo para o aumento do colesterol e da pressão arterial, além do risco de infarto e AVC a longo prazo. As bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados, também são mencionadas como vilãs da alimentação saudável durante o torneio.

Grupos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças preexistentes, devem ter cuidados redobrados. Os hipertensos, por exemplo, devem evitar o excesso de sal encontrado em embutidos e salgadinhos, enquanto diabéticos precisam controlar a ingestão de doces e bebidas alcoólicas, que podem desregular a glicemia. Aqueles que vivem com obesidade devem prestar atenção ao tamanho das porções e evitar calorias líquidas, que são abundantes em refrigerantes e bebidas alcoólicas.

Para os pacientes com doenças renais, a moderação no consumo de sal e proteínas é essencial, bem como a limitação do álcool. Já os idosos devem manter uma hidratação constante, pois tendem a sentir menos sede e podem desidratar com facilidade.

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