O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) concedeu um prazo de 72 horas para que a diretoria do Corinthians apresente a documentação completa relacionada à evolução da dívida com a Caixa Econômica Federal, que alcança o montante de R$ 642 milhões. Essa determinação integra um procedimento administrativo que investiga possíveis discrepâncias na cobrança de encargos e multas pelo banco estatal ao clube.
Até o momento, o Corinthians não se manifestou sobre o caso, e a matéria será atualizada caso haja alguma declaração. A Caixa Econômica, por sua vez, afirmou que não se pronuncia sobre informações específicas relativas a operações de crédito com seus clientes, em respeito ao sigilo bancário, mas destacou que o contrato de financiamento respeitou rigorosamente a legislação vigente e as normas do Banco Central do Brasil, sem qualquer irregularidade.
Cássio Roberto Conserino, promotor responsável pelo caso, informou que o Corinthians manifestou disposição para colaborar com a investigação, mas não apresentou documentos ao perito Anísio Costa Castelo Branco, que é central na denúncia. Anísio elaborou um dossiê a respeito da dívida, utilizando documentos públicos, multas e a análise dos juros aplicados.
A Promotoria solicitou também esclarecimentos ao Corinthians sobre a função do perito na discussão da dívida. Anísio Costa Castelo Branco foi recebido pelo presidente do Corinthians, Osmar Stábile, em setembro de 2026, com a intenção de integrar uma comissão para revisar o débito. Contudo, segundo o procedimento, ele foi posteriormente excluído do processo.
Um dos pontos centrais da investigação diz respeito à aplicação de uma multa de 10%, estipulada na Cláusula 16ª do contrato com a Caixa, e que foi cobrada na ação de execução movida pelo banco em 22 de agosto de 2019. Esse levantamento foi realizado pelo Instituto de Perícia Investigativa, da qual Anísio é responsável.
O estudo aponta que a multa de 10% foi aplicada sobre o valor total do contrato, resultando em uma sanção de R$ 48.735.713,93. A investigação também está atenta a eventuais indícios de gestão temerária por parte dos administradores do clube.





