Investigações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelam que, de todas as operações deflagradas este ano contra administrações municipais, metade aponta para corrupção nos setores de Saúde e Educação. Esquemas complexos envolvem servidores, secretários e até parlamentares, desviando recursos essenciais para a população.
A Operação Dirty Pix, que investiga o desvio de R$ 5,4 milhões do hospital beneficente de Sidrolândia, é um exemplo emblemático. Recursos públicos, repassados para a compra de equipamentos médicos, teriam sido desviados em conluio com a empresa fornecedora, com indícios de pagamentos indevidos a vereadores. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus, tendo como alvos vereadores, ex-vereadores, secretários e a vice-prefeita de Sidrolândia.
Outra operação, a Auditus, identificou supostas fraudes em licitações na área da saúde em Nioaque, com desvios de aproximadamente R$ 3 milhões entre 2019 e 2024. A ex-secretária de saúde do município foi um dos alvos da investigação.
No setor da Educação, a Operação Malebolge, deflagrada em fevereiro, revelou um esquema de fraude em licitações em Água Clara e Rochedo, com contratos que ultrapassam R$ 10 milhões. A investigação apontou para o pagamento de propina a servidores públicos para direcionar licitações e atestar falsamente o recebimento de produtos e serviços, como merenda escolar.
Em Três Lagoas, a Operação Backstage apura irregularidades em licitações para fornecimento de estruturas e equipamentos para eventos, com contratos de quase R$ 9 milhões destinados à Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Já a Operação Copertura investiga fraudes em licitações de diversos produtos em Miranda, incluindo kits escolares e gêneros alimentícios.
Essas operações se somam a outras investigações que revelam um cenário preocupante de corrupção em diversas áreas da administração pública em Mato Grosso do Sul, atingindo diretamente serviços essenciais para a população. A Operação Turn Off, de 2023, também expôs fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação e da Secretaria de Estado de Saúde, além da Apae de Campo Grande, somando mais de R$ 60 milhões em licitações corruptas.






