CPMI Investigará Demora em Coibir Fraudes no INSS Após Alertas Ignorados

Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) focará na apuração da demora do Ministério da Previdência Social em responder aos alertas sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários. A informação foi divulgada pelo deputado federal Beto Pereira, membro titular da comissão.

Pereira classificou como “gravíssimo” o fato de que a pasta ministerial ter recebido diversas notificações sobre o problema antes da deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Ele questiona o intervalo entre o momento em que o ministro foi alertado e a operação policial, indagando sobre a ausência de medidas para conter os descontos irregulares.

Segundo o deputado, os alertas chegaram ao Ministério da Previdência através de diferentes órgãos, incluindo a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal do Espírito Santo e o Procon de Mato Grosso do Sul. As notificações detalhavam reclamações de aposentados e pensionistas lesados por descontos não autorizados. O parlamentar afirmou que a documentação chegou ao gabinete do ministro, mas foi ignorada.

A CPMI deverá iniciar seus trabalhos na primeira terça-feira de agosto, com a expectativa de que os nomes para a presidência e relatoria sejam definidos até lá. O senador Omar Aziz é apontado como possível presidente da comissão, enquanto a relatoria deve ficar a cargo de um deputado federal. Nos próximos dias, o governo e a oposição devem disputar a relatoria, buscando influenciar a narrativa da investigação.

Pereira elencou três objetivos principais para a CPMI: aperfeiçoar a legislação para evitar brechas para sindicatos e associações lesarem aposentados e pensionistas; responsabilizar os envolvidos direta e indiretamente nos crimes; e mitigar o prejuízo, buscando a recuperação dos valores descontados indevidamente. O deputado enfatizou que a CPMI não pretende refazer o trabalho da Polícia Federal, mas sim ter acesso às investigações em andamento.

A Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal e CGU, investiga descontos indevidos em benefícios previdenciários, envolvendo associações e entidades que realizavam cobranças ilegais sem autorização. A Polícia Federal estima que o valor descontado indevidamente dos aposentados e pensionistas pode ter alcançado R$ 6,3 bilhões. O governo federal já iniciou o ressarcimento dos valores descontados pelas entidades citadas na investigação.

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