Uma criança de apenas 2 anos foi hospitalizada na noite desse sábado (7) após beber meia garrafa de catuaba em Campo Grande. A menina deu entrada em uma unidade de saúde da capital com traumatismo cranioencefálico causado, supostamente, por uma queda da cama. A mãe, usuária de álcool e drogas, também precisou de atendimento médico.

Policiais militares da 10ª Companhia Independente de Polícia Militar foram acionados pelo assistente social do Posto de Saúde da Coophavilla. No local, foram informados de que a menina de 2 anos e 10 meses foi levada pela mãe de 20 anos e deu entrada na emergência com sinais de embriaguez. Durante a triagem, a criança convulsionou.
A mãe relatou que horas antes a menina ingeriu, sem ela perceber, cerca de meia garrafa de catuaba que estava no chão da casa Depois disso, ficou sonolenta e foi colocada para dormir, mas pouco depois caiu da cama e bateu a cabeça.
Com a queda, a menina teve tremores e parou de responder a estímulos, por isso foi imediatamente levada à unidade de saúde.
Conforme avaliação médica, a criança apresentava intoxicação alcoólica, traumatismo cranioencefálico com sinais de alarme, hipoglicemia e crise convulsiva. Para os médicos, sinais evidentes de maus-tratos por negligência.
Devido à gravidade do quadro médico, a menina foi levada para a Santa Casa de Campo Grande. Não há atualização sobre seu estado de saúde, apenas que está internada no CTI (Centro de Terapia Intensiva).
Vulnerabilidade
Após ouvir a equipe da unidade, os militares foram até a sala em que a mãe da menina esperava, mas encontraram apenas a avó dela. A mulher relatou que a filha saiu falando que buscaria documentos em casa e logo voltaria.
Nervosa, a mulher não soube explicar o que aconteceu, apenas que foi avisada que a neta e a filha estavam no posto de saúde e, por isso, foi até lá.
Aos policiais, ela relatou que a filha é usuária de drogas e álcool e passa as noites na rua, fazendo uso de entorpecente, mas não sabe com quem a menina de 2 anos fica enquanto a mãe está fora. Ela ainda narrou que as duas moram em uma casa frequentada por usuários, homens e mulheres, um ambiente aberto, semelhante a uma comunidade, com livre circulação de pessoas.
Nas palavras da avó da menina, o Conselho Tutelar foi acionado diversas vezes, mas não tomou providências efetivas.
Diante da situação e da fuga da suspeita, apoio policial foi chamado e a mãe da criança foi encontrada em casa. Ela estava ferida, com cortes causados por faca e trauma na perna esquerda, que segundo ela, foi causado por chutes. Contou ter sido agredida “por pessoas que frequentam sua casa” e confessou ter fumado maconha e ingerido bebidas alcoólicas.
O Conselho Tutelar acompanhou o caso até a menina ser levada ao hospital e repassou a informação de que a avó cuidaria da criança na Santa Casa, mas não ficaria com a guarda dela.
O caso foi registrado e será investigado como fornecer bebida alcoólica para criança, abandono de incapaz, se do fato resultar lesão corporal de natureza grave e maus-tratos. A lesão contra a mãe também deve ser apurada.
(Colaborou José Aparecido)


