A 60ª edição da Expoagro, que ocorre em Dourados, traz à tona a pressão política e econômica enfrentada pelo agronegócio brasileiro. No evento, realizado neste sábado (9), o tema mais recorrente entre as falas de lideranças do setor foi o endividamento rural, apresentado como uma ameaça à continuidade das atividades agrícolas no país. Gino Ferreira, Presidente do Sindicato Rural de Dourados, proferiu um discurso contundente, destacando a disparidade entre a celebração do Governo Federal por uma safra recorde e a realidade de produtores endividados. Ele alertou que, se a situação persistir, a produção agrícola poderá ser comprometida, afirmando que “essa terra estará nas mãos de um sistema ganancioso”.
Ferreira também fez críticas à situação fundiária em Mato Grosso do Sul, mencionando a insegurança enfrentada pelos produtores, além de furtos de gado e desrespeito a títulos de propriedade. O presidente do sindicato ressaltou que “metade de Mato Grosso do Sul foi transformada em terra indígena”, e que a presença das forças de segurança estaduais tem sido crucial para evitar que a situação se agrave ainda mais.
A senadora Tereza Cristina (PP) abordou em seu discurso a crise financeira que afeta o agronegócio, referindo-se ao momento como uma “tempestade perfeita”. Ela apontou diversos fatores que contribuem para a crise, como os juros elevados, a queda nos preços das commodities, a escassez de seguros rurais e o aumento dos custos de insumos, além dos efeitos das guerras internacionais sobre a disponibilidade de fertilizantes e defensivos agrícolas. “Os juros não cabem no bolso de quem produz”, enfatizou a senadora, chamando a atenção para o aumento das recuperações judiciais no campo e a perda de propriedades por parte dos produtores.
Tereza Cristina destacou que o volume da dívida rural atualmente alcança a cifra de 170 bilhões, alertando que o problema não afeta apenas o setor agropecuário, mas pode se refletir na inflação dos alimentos, impactando o consumidor. O governador Eduardo Riedel também se manifestou sobre o cenário econômico, criticando as taxas de juros, que variam entre 15% e 18%, e argumentou que esses níveis inviabilizam investimentos no setor. “Com juros de 15, 17, 18% ao ano, não há como prosperar”, declarou.
Riedel reforçou a necessidade de articulação entre o Congresso Nacional e o Governo Federal para encontrar soluções para a crise. Em seu discurso, o governador comentou sobre as críticas voltadas para as áreas indígenas, defendendo que é essencial separar as ações criminosas das demandas sociais das comunidades. Ele afirmou que as comunidades indígenas merecem respeito e infraestrutura adequada, mas que as invasões e práticas ilegais não devem ser toleradas, pois infringem direitos e a liberdade de produzir.
A Expoagro 2023 segue até o dia 17 de maio no Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho, em Dourados.






