A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a crise político-institucional se intensifica, prejudicando o debate sobre propostas de campanha e os desafios estruturais do Brasil. Entidades da sociedade civil destacam que, ao extrapolar os limites do Supremo Tribunal Federal (STF) e envolver outras instituições, as disputas entre ministros da Corte têm dominado o noticiário e as discussões nas redes sociais, desviando o foco das questões nacionais mais prementes.
Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), enfatiza que o debate eleitoral está comprometido, pois a atenção da sociedade está voltada para os desdobramentos da crise institucional no Poder Judiciário. Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), observa que a agenda pré-eleitoral é monopolizada por temas que não foram escolhidos pela sociedade e que deveriam ser discutidos juntamente com propostas de mudanças estruturais que fomentem o desenvolvimento do país.
Garcia argumenta que existe uma lacuna significativa em relação a questões essenciais que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência, que necessita de regras estáveis e de um orçamento previsível. Ela critica a dicotomia imposta entre discutir a integridade das instituições e um projeto mais amplo de desenvolvimento nacional, ressaltando que ambos os temas são interdependentes.
Rita Serrano, presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), destaca que a classe trabalhadora prioriza questões como o fim da escala 6×1, a geração de emprego e renda, e a segurança pública. Ela menciona ainda a importância da regulamentação da negociação coletiva no setor público, por meio do Projeto de Lei 1.893/2026, além de temas estratégicos relacionados ao desenvolvimento econômico e à preservação da soberania nacional, como o aproveitamento dos Minerais Críticos.
Alcebias Constantino, representante da Articulação dos Povos Indígenas, ressalta a importância do pleito eleitoral como uma ferramenta para garantir direitos. Ele menciona a necessidade de eleger uma bancada indígena, enfatizando que o movimento atua para conscientizar sua base sobre candidatos que compartilham suas prioridades. Constantino minimiza o impacto da atual crise institucional sobre as comunidades indígenas, afirmando que, embora a instabilidade gere preocupações, as comunidades estão habituadas a lutar por seus direitos, mesmo diante de adversidades.
Constantino conclui que, apesar dos desafios impostos pela crise, o movimento indígena continua sua mobilização, adaptando suas estratégias conforme necessário, sempre ciente de que a luta por seus direitos é constante e que novos desafios surgirão no futuro.





